True Story

Pessoas normais que andam por entre as outras sem que ninguém dê por ela, um mau período, um mau dia…um mau tempo.
Pessoas sem vontade de fazer seja o que for, rodeadas de escuro, de contras, de solidão.

“First Comes Love!”

Quis o destino que o meu filme da noite de passagem de ano, fosse por acaso o documentário “First Comes Love”.

 

Esta é uma ideia antiga que cada vez toma mais forma na minha mente.

Chegados ao séc. XXI não faz para mim sentido nenhum ” arranjar alguém” apenas para ser mãe, ou apenas para seja o que for, ou é a pessoa certa para nós ou seja qual for o propósito vai dar asneira na certa, e é super injusto para a criança, quer dizer carrega logo o fardo de ter de manter dois adultos juntos só porque existe, é demasiada responsabilidade para alguém que nem aos 4kg chega. Já lhe basta os impostos e a dívida pública que terá para pagar só por existir neste país, mas adiante.

Em Fevereiro o Parlamento em principio aprova uma lei que permite a qualquer mulher portuguesa a possibilidade de aceder a um banco de esperma e ser mãe solteira, já o permite a casais. Até hoje qualquer mulher portuguesa que o quisesse fazer teria de recorrer a privados em Espanha e gastar uma pequena fortuna.

Há tempos falava com uma amiga que seguiu a mesma via que o filme, pediu a um amigo e engravidou por inseminação artificial sem recursos a bancos, é uma hipótese, mas quer o rapaz do filme, quer o amigo da minha amiga acabaram por ter grande relevância no crescimento da criança e não tendo responsabilidade financeira sentem-se na responsabilidade moral e acabam por ocupar o papel de pai ausente, mas que está lá, telefona e aos fins de semana fazem programas. E essa é outra questão que balança na minha cabeça, ninguém pode prever o que vai sentir ao ver uma criança que sabe que é sua, é justo pedir isso a um amigo? Porque quer dizer uma coisa é toma lá esperma e segue com a tua vida que eu sigo com a minha, outra é, porque felizmente as pessoas não são robots, a realização e a emoção aliada a existe uma criança neste mundo que descende de mim.

Por outro lado, tendo em conta que nunca sabemos o que nos dita a genética e que os traços do pai estão la no filho, mais vale um amigo que nós conhecemos e de quem gostamos, senão não seria nosso amigo, a um completo estranho que nem nunca sequer vimos e de quem sabemos nada.

Não tenho 41, não estou assim tão longe, mas sinto o relógio biológico a fazer tic tac, sinto que está na altura de reflectir e ponderar as opções.
Segue-se uma conversa com a ginecologista para ouvir uma opinião mais profissional sobre o assunto e procedimentos.

Não pretendo engravidar no próximo ano, mas sinto que devo começar a estudar o assunto com cuidado.

Alguém desse lado passou por este processo?

“Congratulations on your white penis”

“Congratulations on your white penis — because if you have one of those, you probably have a very different experience of the internet” é o comentário de John Oliver que subscrevo, milhares de mulheres são todos os anos vitimas de cyberbullying pelas mais diversas razões.
É bem mais comum do que se pensa, é um sufoco na garganta e para muitas o fim da vida tal como a conheciam, só porque sim e para diversão dos outros sem qualquer respeito pelos seus direitos.

O John Oliver fez uma excelente reportagem sobre o tema que convido todos a ver.

É uma daquelas coisas que me arrepia a espinha e fico incondicionalmente do lado daquelas cuja vida é devassada por pervertidos sem escrúpulos, é preciso legislar urgentemente.

 

10 Anos de Blogue

Este blogue fez dez anos no dia 25 de Abril, em dez anos muito mudou e eu mudei imenso devo dizer. Tem sido uma viagem interessante e consigo ver as suas diversas fases retratadas aqui.

Coincidem com esta efeméride algumas mudanças significativas na minha vida, que o mês de Maio traz com ele, também elas irão ser reflectidas aqui. Por isso mesmo este blogue também irá mudar. 

Obrigada a quem se mantém nesse lado à “escuta” apesar da pouca regularidade com que tenho escrito mas também isso irá mudar.

Nomad

Cyberbulling

Impossível não partilhar esta TedTalk de Mónica Lewinsky, um retrato na primeira pessoa. Ela tinha 22 anos, 22 anos apenas. Quem diz a Mónica Lewinsky diz as “Scarlet Johansson” desta vida que vêm a vida privada devassada apenas porque sim, porque são famosas, porque são giras, porque os outros julgam que têm direito de violar a sua vida e a sua privacidade, apenas para satisfazer curiosidades. Não consigo ser conivente com isto, não consigo. Temos de por um ponto final nesta invasão da esfera privada, nesta ausência de ver o outro enquanto ser humano.