A menina triste da Si-o-Seh Pol por Filipe Morato Gomes

“Com a moeda desvalorizada e uma inflação galopante (alguns preços duplicaram no espaço de um ano), muitas famílias iranianas estão em sérias dificuldade. A crise parece ter chegado ao Irão.

Tenho visto homens a remexer no lixo à procura de comida e mais pedintes que o habitual nas várias cidades por onde tenho passado. Mas foi um encontro com uma criança que mais me marou.

Era noite. Atravessava a ponte Si-o-Seh, em Esfahan, quando me tocaram na perna. Era uma menina de olhar triste, não teria mais que 5 anos, e trazia nas mãos algo para vender. Talvez fossem lenços ou pensos, seguramente algo de pouco valor. Os pais estariam nas proximidades, mas não os consegui ver.

Baixei-me e disse que não suavemente, ela insistiu impávida e serena, pronunciando apenas uma palavra em farsi que não entendi; voltei a dizer que não. Repetimos este diálogo várias vezes, calmamente, como se estivéssemos a testar a paciência um do outro.

Frente a frente, de cócoras para que ficássemos cara a cara e a olhasse sem ser de cima para baixo, só me lembrava da minha filha.

Ela não desistia.

Levantei-me e comecei a caminhar. A menina deu uns passos de petiza e colocou-se de novo à minha frente. Estava decidida. E triste. Fosse um adulto e teria levado um encontrão. Mas era uma menina da idade da minha filha.

De novo me baixei e recomeçamos o diálogo da paciência. Por 3 ou 4 vezes repetimos esta “luta”: ela queria vender, eu queria ajudá-la a simplesmente ser criança.

É um dilema antigo. Tinha vontade de comprar tudo o que a menina trazia na mão para que ela pudesse ir para casa brincar, dormir ou simplesmente sorrir. Mas fazê-lo seria contribuir para que nas próximas noites ela fosse de novo impelida para as ruas pelos seus pais. Por mais contraditório que possa parecer, a melhor forma de a ajudar era não ceder. Não comprar. Para que nas próximas noites pudesse ficar em casa a brincar, a dormir, a ser, enfim, uma menina de 5 anos.

Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, a menina dirigiu-se por uns segundos a outras pessoas que passaram ao nosso lado. Aproveitei a “distração” e continuei a caminhar. Olhei para trás e “vi” a minha filha a vender lenços ou pensos aos transeuntes da Si-o-Seh Pol.

E não contive uma lágrima de tristeza, de raiva, de desespero.”

Filipe Morato Gomes

 
 

Educação Helvética

Não é à toa que estes senhores em termos educacionais estão no topo dos topos.

Los helvéticos aprobaron hoy en referéndum, con un aplastante 72,7 por ciento, una modificación constitucional que pretende reforzar la formación musical en la educación básica.

Los 26 cantones (provincias) helvéticos dijeron “sí” al texto, que fue presentado como una iniciativa popular, pero posteriormente fue asumido como propio y modificado por el Consejo Federal y el Parlamento para mantener el delicado equilibrio entre las prerrogativas de los cantones y del Estado.

La iniciativa era tan valorada que el “peor” resultado fue el 55,9% de los votos, en el cantón de Schwyz, y el mejor el 82,5%, en el cantón de Ginebra.

La modificación constitucional prevé que el gobierno federal y los cantones hagan todo lo necesario para promover la formación musical de los niños y los jóvenes tanto en el colegio como una actividad extraescolar.

En este sentido, los cantones deberán definir un plan nacional para valorar las competencias musicales de los alumnos, tal como se hace en matemáticas o lengua.

Asimismo, la idea es facilitar el acceso de aquellos mejor dotados a las escuelas de música y conservatorios.”

Lido aqui.

 

 

Muamba de ginguba

Conheci a Celina Pereira em 2007 num encontro de artistas da Fundação Yehudi Menuhin, passei uma tarde deliciosa a ouvi-la contar histórias, ensinou-me muito sobre a importância da voz no ensino da música a crianças carenciadas.

Hoje vi esta receita que ela cozinhou para a Sapo e não resisti em partilhar, tem um óptimo aspecto, se bem que eu confesso que fico um bocadinho de pé atrás em relação à manteiga de amendoim, no entanto irei experimentar, porque se a cozinha dela for tão honesta quanto a experiência de vida que partilha com tanto carinho,será certamente um pitéu.

Tall Ship Races 2012

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As filas para visitar a Sagres, que é de longe o navio mais bonito e bem cuidado de todo o conjunto, demoram horas, mas mesmo assim dei por bem empregue o meu tempo.  

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  O Creoula estacionado a seu lado parece um anãozinho pequenino perto do gigante Sagres.

 

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  No Sagres, a tripulação também come melhor que no Creoula, da cozinha vinha um cheiro formidável, que vim a saber ser de um Arroz à Valênciana, enquanto no Creoula a cozinha cheirava a cantina, coitados….

 

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Triste sina tem o Mir, um navio Russo, que foi transformado em loja de souveniers e até tem uma caixa de donativos à saída. Está ferrugento, com fios eléctricos à solta, mas por fora é bonito e imponente.

 

Fiquei com pena de não ter visitado o Lord Nelson, mas tem uma hora muito curtinha de visita diária, os navios polacos também já estavam fechados mas fiquei com vontade de os visitar.

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A boa noticia veio do Bark Europa que permite que nos inscrevamos, e presumo que paguemos bem, para viajar nele, como marinheiros atenção, para destinos como a Antárctica, no próximo ano Austrália e Nova Zelândia ou até fazer a próxima Tall Ships Race.

No próximo domingo zarpam para novos destinos mas quem quiser vê-los desfilar no Tejo pode fazê-lo entre as 14 e as 15.