The Mask You Live In

Não é só nos Estados Unidos, é por cá também, imensos miúdos que se sentem sozinhos, encurralados, a única maneira de chamar a atenção é pela violência verbal ou física, imensos miúdos a quem ensinam que não é “de homem” lidar com as emoções, os “homens” têm de aguentar, e eles aguentam e aguentam e a raiva é maior e a atenção e cuidado dos outros é cada vez menor, e de repente perdem-se daqueles com quem costumavam andar e juntam-se a outros que aguentam como eles, a outros revoltados, que não podem mostrar as emoções porque são homens, e a violência aumenta, e juntos fazem asneiras, e um dia estão presos porque lhe disseram que ser homem era aguentar.
Estas histórias têm caras nomes, são visíveis, não são imaginárias, nem são daquelas que aparecem nos filmes.
Miúdos bons, miúdos que um dia será demasiado tarde para os conseguir ajudar.
É preciso ouvi-los, estender a mão, porque poderão ouvir histórias tão dolorosas como “estava no café com o meu pai e entrou um tipo que se zangou, disparou e acertou-lhe, vi o meu pai morrer ali à minha frente, a sangrar do pescoço por nada, porque não o outro não concordou com o preço do whisky*”, é preciso deixá-los chorar, chamar à vida todos os nomes possíveis e imaginários, dizer umas asneiras se for preciso. Ensiná-los que é legitimo tudo isso, que não podem nem devem aguentar. É preciso ensiná-los a canalizar essa raiva, essa angústia, no meu caso costumo fazer isso através da música, mas qualquer veiculo está bem, desde que eles possam falar e sintam que são ouvidos, é tão importante.

*infelizmente esta história é verídica e ouvi-a da boca de um aluno.

Já conheces o Ivan?

O Ivan é um menino igual a outros todos, excepto no facto de ser portador de uma doença crónica rara, a Fundação do Gil ajudou o Ivan como ajuda anualmente centenas de meninos, todos eles com histórias invisíveis, todos eles com uma coragem fantástica.

Ouçam/vejam o video, partilhem, ajudem como poderem, não só com esta empresa, nesta altura do ano existem milhares de formas de ajudar a fundação nem que seja com um simples telefonema para o 760 100 330, ou comprando o cd da Vera, ou entregando papa para as crianças da casa do Gil no centro pré-pós parto, fazendo voluntariado, nas caixinhas da perfumaria Douglas, dando um donativo com o IRS, sei lá imensas maneiras de ajudar, só não fiquem com os braços cruzados por uma causa que é de todos nós, ninguém está livre de precisar do auxilio da Fundação, e os custos que esta têm são astronómicos.

Professores do Ensino Artístico em luta

Quem me conhece sabe que não sou muito dada a manifestações ou a grandes protestos públicos, mas neste não estive, na passada quinta-feira, porque não pude. Estou 100% com os meus colegas apesar de não me encontrar exactamente na mesma situação que eles, eu dou aulas num projecto que tem a sua continuidade revista anualmente, pelo que não faz sentido apesar de dar aulas no projecto e estar vinculada à escola há mais de 3 anos, estar a reivindicar para ser integrada nos quadros se não sabemos a longevidade do mesmo. Apesar de por lei ser isso que devia acontecer.

As reivindicações dos meus colegas são mais que justas alguns deles ensinam na mesma escola há 16 anos e com cargos administrativos até, normalmente são colocados antes do 1 de Setembro, e são continuados os contratos, este ano não, fomos contratados depois de dia 15, enquanto os professores do ensino regular apesar de terem sido colocados depois de dia 1, receberam com retroactivos e o tempo de serviço também lhes conta a partir de dia 1 de Setembro, para nós nem a primeira nem a segunda. Ou seja uns são mais professores do que outros. Com esta interrupção de contrato foram retirados da Caixa Geral de Aposentações e passaram para a Segurança Social, entre outras coisas.

Na quinta-feira protestaram e apesar da presença do Mário Nogueira ( com quem eu não quero ter mesmo nada a ver) tenho pena de não ter podido estar ao lado deles, mas irei certamente estar presente noutras acções que façam.

Só para terem ideia, estes mesmos colegas foram trabalhar para as suas escolas sem ainda terem sido colocados de modo a que os alunos não ficassem prejudicados, gostava de saber quantos professores conhecem capazes de fazer isto.

 

Professores do Ensino Artístico em luta from joao vasco on Vimeo.

É preciso acreditar

Porque já passou um ano, sem que nos dessemos conta.

Porque neste momento preciso de acreditar que há um sentido nisto tudo, que a revolta em nada ajuda, que o sentimento de injustiça em breve passará, e que depois do tempo cinzento haverá solinho.

Que hoje ainda terei respostas e que essa resposta irá ser positiva.

Um livro a não perder!

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Um livro com a edição mpmp!

‘Histórias da Música em Portugal’, com texto de Mário João Alves e ilustrações de Madalena Matoso, é uma viagem através dos séculos que nos desvenda os seus episódios musicais mais surpreendentes e singulares. O CD que acompanha o livro reúne algumas das obras mais representativas do nosso património musical, desde Dom Diniz a Constança Capdeville, acabando quase por ser uma história da música portuguesa em 60 minutos. Para miúdos a partir dos sete ou oito anos… mas também para os mais crescidos! | já à venda em www.mpmp.pt

Vejam as datas dos lançamentos e apareçam 😉

 

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