The Mask You Live In

Não é só nos Estados Unidos, é por cá também, imensos miúdos que se sentem sozinhos, encurralados, a única maneira de chamar a atenção é pela violência verbal ou física, imensos miúdos a quem ensinam que não é “de homem” lidar com as emoções, os “homens” têm de aguentar, e eles aguentam e aguentam e a raiva é maior e a atenção e cuidado dos outros é cada vez menor, e de repente perdem-se daqueles com quem costumavam andar e juntam-se a outros que aguentam como eles, a outros revoltados, que não podem mostrar as emoções porque são homens, e a violência aumenta, e juntos fazem asneiras, e um dia estão presos porque lhe disseram que ser homem era aguentar.
Estas histórias têm caras nomes, são visíveis, não são imaginárias, nem são daquelas que aparecem nos filmes.
Miúdos bons, miúdos que um dia será demasiado tarde para os conseguir ajudar.
É preciso ouvi-los, estender a mão, porque poderão ouvir histórias tão dolorosas como “estava no café com o meu pai e entrou um tipo que se zangou, disparou e acertou-lhe, vi o meu pai morrer ali à minha frente, a sangrar do pescoço por nada, porque não o outro não concordou com o preço do whisky*”, é preciso deixá-los chorar, chamar à vida todos os nomes possíveis e imaginários, dizer umas asneiras se for preciso. Ensiná-los que é legitimo tudo isso, que não podem nem devem aguentar. É preciso ensiná-los a canalizar essa raiva, essa angústia, no meu caso costumo fazer isso através da música, mas qualquer veiculo está bem, desde que eles possam falar e sintam que são ouvidos, é tão importante.

*infelizmente esta história é verídica e ouvi-a da boca de um aluno.

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