Acordo Ortográfico

«Claro que isto são rabugices de leigo. […] Mas o leitor também rabujaria se um acordo internacional o obrigasse a abraçar de outra forma, ou a beijar de modo diferente. “Recepção” escreve-se com “p” atrás do “ç”. É assim porque o “p” provoca uma convulsão no “e” – sem lhe tocar. E eu tenho alguma afeição por quem consegue fazer isso.»
RAP”

Não sendo eu fã do trabalho do Ricardo Araújo Pereira, muitas vezes concordo com ele, sempre para grande surpresa minha. Em relação ao Acordo a surpresa não é tanta, ninguém que usa a língua como ferramenta pode ser a favor destas alterações.

Até Umberto Eco se rendeu….

Ao Ipad!

Como se pode ler nesta entrevista:

ÉPOCA – O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco –
Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda* não é possível fazer num tablet.”

in Revista Época, Brasil.

Podem ler o resto da entrevista aqui.

Gosto muito do Umberto Eco enquanto académico e teórico, confesso, com vergonha, que o escritor tem me passado um bocadinho ao lado ( eu sei que o Nome da Rosa é um grande livro, mas um tanto ou quanto puxadinho para mim que a violência não me desce muito facilmente).

* sublinhado meu… julgo que não falta muito para que isso venha a ser possível.