….Luiz Goes….

Letra e Música de Luiz Goes

Desde pequena que ouvia o meu pai a cantar as suas músicas, a ouvi-las com atenção, a entrelaça-las com a vida, Coimbra têm-no como banda sonora, cada rua, cada praça, cada fonte, cada arco…Coimbra respira e vibra com a sua música.

Quis a vida que o conhecesse na década inicial deste século, cruzamo-nos várias vezes, conversámos muito embora confesse que ouvi mais. Prometeu-me um dia ir a Évora cantar, dizia-me não te esqueças de me cobrar o favor, para ver se vou finalmente a Évora cantar.

Desde que vim para Lisboa que pensava tenho de ir visitar o Dr. Luiz Goes, por vezes a vida quer ou faz por querer que as coisas importantes passem para depois, por preguiça, por não querer incomodar, afinal eu sou tão pequenina e ele tão grande.

Hoje foi com emoção e uma lágrima a cair-me do rosto que soube da sua morte.

Perdi mais um dos meus guias, das pessoas que tendo vivido antes de mim, me passaram muito da sua experiência e do seu optimismo.

Um dia irei cantar uma canção de Coimbra, mais do que por mim por si!

Um grande abraço e que descanse em paz

Culinária

Para quem tem curiosidade em saber o que comiam os nossos antepassados:

Arte de Cozinha, de Domingos Rodrigues editado em 1821 – Arte de cozinha dividida em quatro parte, a primeira trata do modo de cozinhar vários guisados de todo o género de carnes, conservas, tortas, empadas e pasteis. A segunda de peixes, mariscos, frutas, hervaa (sic), ovos, lacticínios, doces e conservas do mesmo género. A terceira de preparar a mezai (sic) em todo o tempo do anno, para hospedar príncipes e embaixadores. A quarta de fazer pudins e preparar massas.

Cozinheiro moderno ou nova arte de cozinhar, onde se ensina pelo methodo mais fácil

disponíveis para download no site da Biblioteca Nacional!

via Outras Comidas

A origem do “Fino”

Via Penedo da Saudade.

“Nicolau da Costa conta-nos que era amigo de copos de um refinado boémio, de seu nome Toninho Saraiva, “Toninho Copi” para os amigos, tipo sombra magrinha, bem penteadinha que vagueava por Coimbra naquela época.

 Pois bem, o Toninho Saraiva, tinha-se curado duma tuberculose galopante em poucas semanas e atribuía a sua cura milagrosa à cerveja, da qual era apreciador esmerado, coisa que médicos amigos me disseram ser tão provável como as galinhas terem dentes. Mas para o “Toninho Copi” isso era uma verdade absoluta. Sigamos agora em directo o texto de A. Nicolau da Costa*:

    …E talvez fosse por isso que religiosamente, diariamente, como quem se sacramenta, descia as escadas da “Domus”, na Visconde da Luz, para se regalar, profilacticamente, com doses maciças daquele “medicamento”. A essas formidáveis libações, chamava-lhe ele “Os banhos do Toni”… Entenda-se por “Toni” o único dente incisivo de que dispunha a sua devastada dentadura…
    Dessa convivência diária com a cerveja, resultou que o Toninho ficou perito. E ficas a partir de agora ciente de uma verdade incontroversa, caro leitor: Quando hoje te sentas a uma mesa e displicentemente, por hábito, pedes um “fino”, estás, sem o saberes, a seguir as indicações técnicas do Toninho. Sim, senhor! A classificação de “fino” começou quando o Toninho exigia que lhe servissem em copo de vidro fino, como ele apreciava. Exigia-se de início: “Um copo de cerveja de vidro fino!”. Depois pedia-se “Um copo fino”. Hoje generaliza-se e pede-se “Um fino!”.

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*O Livro a que o texto se refere chama-se ” Boémia Coimbrã ( dos anos quarenta)” e é da autoria de A. Nicolau da Costa e editado pela Athena.
 
 

A propósito ainda…

Deste meu post.

Devo-vos dizer que este texto, me faz todo o sentido e tornaria um emprego perfeito. Julgo até que é por causa disso que ando sempre a magicar formas de trabalhar a partir de casa, numa versão mais felina por ora, mas era isso.

E agora respirando um pouco mais de alivio sobre o tema de há pouco, há emails que nos aliviam a alma e eu hoje à noite recebi um desses, agora seguindo para a segunda fase esperando luz no fundo do túnel. Há alturas em que vimos os sonhos fugir por uma linha bem fininha.

Perguntem-me lá os 25 países que têm o El Sistema para ver se eu não vos sei dizer todos e chamá-los pelos nomes, que uma pessoa se pensa em emigrar pensa em ir fazer o que gosta e hoje o Sr. Ministro Gaspar fez-me pensar melhor no assunto.

Não foi à toa que encontrei o video da conferência TED do Maestro Abreu.

Amanhã….

Por Alexandre Gamela

Amanhã

 

“Amanhã ninguém iria trabalhar. Nem saíria de casa para nada, nem para levar os putos a passear se estivesse bom tempo, ou para falar com os amigos no café sobre o jogo e e a vida que se complica. 

 

Amanhã ficaríamos todos no sossego do lar a olhar uns para os outros, para os que realmente importam na nossa vida e mostrar que sem eles não somos nada. A vida lá fora não existiria, as ruas ficariam e

ntregues às pombas e aos gatos vadios, e ao vento e aos loucos. 

 

E depois de amanhã seria igual, e depois e depois. Cidades desertas umas atrás das outras, e ninguém nos obrigaria a sair de casa, por mais que o crédito ameaçasse, ou o governo apelasse à ordem natural das coisas. O governo não manda, regula, mas nenhuma regra se aplica a um país deserto . 
 
Durante uma semana, iríamos parar, sem gritos, sem marchas, sem nada, a antecipar o que nos querem dar, que é um vazio maior do que podemos abarcar, uma revolução passiva e silenciosa que só resultaria num país de ficção.
 
Amanhã ninguém iria bater às portas à procura de trabalho ou para emigrar. Amanhã apagaríamos as luzes todas para mostrar como estamos por dentro. Amanhã sonharíamos no que faríamos amanhã, se houvesse um amanhã para nós. 

O que sobrou de hoje foi tudo, menos o nosso futuro.”

 
 
 
 
Uma ideia bonita, num país que cada vez parece sem futuro!
 
 
 

El Sistema

Quando penso no meu futuro profissional tenho muitas questões, muitas dúvidas, nem sempre é preto e branco, há muitas coisas que gostava de fazer e muitas vezes não sei como as concretizar.

A única certeza que tenho é que gosto de fazer parte deste projecto que em Portugal se chama Orquestra Geração, e que desde que possa e a vida mo permita quero estar neste projecto, tudo o resto são dúvidas , gostos que poderiam ser hobbies .

Confissão

Há muito tempo, mas muito tempo mesmo que não tenho a mais pequena vontade de comprar um disco em português, há uns dois anos comprei via Itunes Store Sara Serpa para depois me arrepender amargamente, apenas uma música valia a pena.

Por isso é estranho em mim quando dou comigo, com vontade de comprar este cd da Celina da Piedade, além de ter músicas que eu adoro e que me fazem reviver muita coisa, como a Pombinha Branca, vou apanhando umas surpresas nos videos que vão sendo divulgados, como este “Rua da Amargura”, a Celina não é uma “graaande” cantora mas é uma grande música e se não tem uma voz trabalhada e pujante, tem como grande vantagem não ter uma má voz ou uma voz que irrita, como outras duas cantoras que agora me ocorrem ao pensamento (nesta nova vaga de cantoras portuguesas, não sei onde elas foram às aulas de canto, mas têm um brilho metálico na voz extremamente irritante).
E gosto das músicas, são inocentes, são no meio desta grande confusão em que vivemos lufadas de ar fresco, leves e sonhadoras.