Por Alexandre Gamela

“Amanhã ninguém iria trabalhar. Nem saíria de casa para nada, nem para levar os putos a passear se estivesse bom tempo, ou para falar com os amigos no café sobre o jogo e e a vida que se complica.
Amanhã ficaríamos todos no sossego do lar a olhar uns para os outros, para os que realmente importam na nossa vida e mostrar que sem eles não somos nada. A vida lá fora não existiria, as ruas ficariam e
ntregues às pombas e aos gatos vadios, e ao vento e aos loucos.
E depois de amanhã seria igual, e depois e depois. Cidades desertas umas atrás das outras, e ninguém nos obrigaria a sair de casa, por mais que o crédito ameaçasse, ou o governo apelasse à ordem natural das coisas. O governo não manda, regula, mas nenhuma regra se aplica a um país deserto .
Durante uma semana, iríamos parar, sem gritos, sem marchas, sem nada, a antecipar o que nos querem dar, que é um vazio maior do que podemos abarcar, uma revolução passiva e silenciosa que só resultaria num país de ficção.
Amanhã ninguém iria bater às portas à procura de trabalho ou para emigrar. Amanhã apagaríamos as luzes todas para mostrar como estamos por dentro. Amanhã sonharíamos no que faríamos amanhã, se houvesse um amanhã para nós.
O que sobrou de hoje foi tudo, menos o nosso futuro.”
Uma ideia bonita, num país que cada vez parece sem futuro!
