Lumbersexual

À cerca desse tema tão em voga, porque neste pais não há nada mais importante para falar , acho  isto:

Pronto e também não acho piada ao Movember e outros movimentos que envolvam pilosidades faciais, apesar de ser algo extremamente democrático visto que não se conseguem distinguir os homens bonitos dos feios pois ficam todos igualmente horríveis e com ar desleixado.

E assim termina o post mais fútil do ano.

Há pessoas verdadeiramente extraordinárias – Carolina Tendon

E só pessoas assim, mesmo que já não se encontrem entre nós têm direito a este tipo de homenagem.

O texto é do Pedro Pinto namorado da Carolina.

 

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O sol voltou a nascer há algumas horas e eu não seria capaz de fechar os olhos sem antes ler todas as fitas que te escreveram, Carolina.

O dia começou cedo e durante a manhã acompanhei a Bênção das Pastas onde te dedicaram uma oração e onde leram um texto da tua autoria.
Nesse texto fazes um apelo: “Unam-se!”.
E foi unidos que encontrei os teus colegas de Veterinária.

Já em casa e à medida que ia lendo as dezenas de fitas que engrossam a tua capa, fui-me apercebendo de alguns pontos em comum.
O teu sorriso, o teu cabelo comprido e ondulado, aqueles jeitos só teus, a tua atitude sempre positiva, os conselhos, a dança… tu. A “minha” Carolina!
Seja pelos olhos dos teus familiares, amigos, colegas ou professores, tu és a mesma pessoa. E é tão bom ver a tua genuinidade, simplicidade e alegria de viver espalhada por aí, em tantos corações que se uniram para celebrar o dia de cada um e, ao mesmo tempo, o dia de todos. A Queima das Fitas.

Foi esse o motivo que me levou até Évora no dia 7 de Junho de 2014.
(Obrigado por não me teres deixado ir sozinho. 7!)

Foi com a tua capa por cima do ombro esquerdo que me misturei com os teus colegas de curso. Mão esquerda a segurá-la em frente ao coração enquanto as fitas abanavam com o vento na capa que trazia na mão direita.
Um rapaz de camisola verde, calças de ganga e sapatilhas, no meio dos estudantes trajados a rigor.

Avançávamos aos poucos e eu ia tentando conter as lágrimas. Não foi fácil.
Era suposto eu estar junto das outras pessoas, a ver-te. A fotografar-te, muito provavelmente. Mas aquele momento não era para a minha emoção.
Quis estar presente para cumprir uma missão e era esse o meu papel naquele momento. Foi esse o meu foco.

Chegou a tua vez.
“Pela Carolina Tendon”, ouviu-se.

Depois… depois toda a gente aplaudiu e recebeste uma ovação gigantesca!
Fotografias, cumprimentos, vinho, mais fotografias e ponta da fita queimada.
Num gesto simples agradeci, por ti, às pessoas que não paravam de fazer barulho.

Ia “sair de cena” quando os notáveis me “empurraram” para a frente, para perto da piscina. Com a capa em frente ao joelho que estava perto do chão, olhei para a água e lembrei-me das tuas conversas sobre “o mergulho”:
“Quem é que me vai atirar? Tu não tens força para pegar em mim!…”
Podia não ter força para te levantar do chão e muitas vezes faltam-me forças para me levantar desse mesmo chão, mas tenho força que baste para te trazer do céu sempre que precisar de ti por perto. E hoje havia muita gente a precisar de ti ali.

Aproveito para agradecer. Por todas as fitas e a todos aqueles que foram ter comigo e que me deixaram algumas palavras daquelas que se guardam.
Uns conhecidos, outros desconhecidos, mas todos com muito orgulho e admiração. Com carinho para ti.
“E para a Carolina Tendon não vai nada, nada, nada? TUDO!”

Voltando às fitas, muitos escreveram sobre o facto de não poderes estar fisicamente ali naquele momento e sobre a falta que fazes…
Sobre a saudade.
Espero que a minha presença tenha camuflado um bocadinho esse sentimento.
Eu vejo-te nos teus colegas e nem precisei de ler as fitas.
Bastou olhá-los nos olhos.
Bastou abraçá-los.
Bastou ouvi-los.

Dei-lhes os parabéns e desejei-lhes boa sorte para o futuro.

E no que toca ao futuro, é tão bonito lê-los. Perceber o quanto a tua partida mudou as suas vidas. A inspiração constante que tens sido e que vais sempre ser.
As boas memórias que guardam e os sorrisos que não esquecem.
Foi por isso que, mesmo de lágrimas nos olhos, não deixei de sorrir nem de sentir que, mais uma vez, estive presente num dos momentos mais importantes da tua vida.

Eu pensava que estava por estares.
Hoje percebi que estive por amar.
Hoje estive porque te amo.

Parabéns minha Carolina!

Agora já posso dormir.

 — com Carolina Tendon emUniversidade de Évora.”