
Quando cheguei à Universidade, o meu Professor de História da Arte deu-nos um livro para ler ” A Forma do Tempo – Observações sobre a História dos Objectos” de George Kubler, na altura não lhe prestei grande atenção, era o primeiro trabalho, tinha que ler para fazer uma recensão critica, as novidades eram tantas e a tantos níveis, que esta passara despercebida. Tive uma nota razoável, 15 julgo, no entanto o livro foi lido e esquecido na prateleira nos anos que se seguiram.
Os meus estudos universitários foram um carrossel de acontecimentos, que começam hoje em dia a tomar forma, demasiada informação e agitação para conseguir processar tanta mudança.
Há alguns meses a vida mostrou-me um cartão vermelho, fez-me parar, repensar, ver o caminho em que seguia e como estava na direcção oposta aos meus desejos, estava a deixar-me ir em vez de dominar o meu próprio destino.
Entrei num processo de auto-analise e conhecimento, entendi que tinha de me perdoar a mim mesma e que perdoar não era nada mais do que perder a esperança de mudar o passado, foi um processo doloroso, muita lágrima, muito choro, mas com a dor veio a percepção de mim mesma, veio a paz, a aceitação e a confiança.
Desde então todas as peças se têm encaixado no puzzle, o caminho tem agora uma direcção, sei o objectivo final, a estrada se encarregará de me colocar na direcção correcta, deixei de ter medo das encruzilhadas, deixei de querer prever todos os passos.
Curiosamente estou de volta à “Forma do Tempo”, livro que tenho de voltar a reler ( nunca mais lhe toquei desde 1996), frases e passagens, que não me lembro de ter lido, aparecem-me agora nos pensamentos, bem arrumadas na caixinha e a fazer muito sentido.
“A forma do Tempo” ensinou-me também que as coisas importantes ficam, mesmo que na altura não lhes tenhamos dado a devida atenção. O meu obrigada ao George Kubler e ao Professor José Alberto Gomes Machado, este último que me ensinou tantas coisas daquelas que não cabem numa sala de aula e ficam coladinhas a nós para a vida, mas sobre isso escreverei noutra altura.
