180 pessoas a partilhar um mesmo espaço

Não deve ser fácil, artistas então….

Alguns músicos defendem que deveriam existir bairros só para músicos, apenas para não existir a lei do silêncio, cada um poder tocar e cantar à hora que bem entende. Claro está que um músico não acorda, nem se incomoda se o vizinho de baixo quiser tocar trompete às três da manhã, já um “comum mortal” é outra história.

Apesar de a ideia me fascinar por um lado, sempre a relutei, trabalhar com músicos e viver rodeada por eles provoca-me aborrecimento, acabamos sempre a falar dos mesmos temas, quer queiramos que não. Esta ideia de um edifício só de artistas dá-me arrepios, seria um pesadelo, só funcionaria se vivesse em espirito de reclusão e mesmo assim….

Este edificio existe no norte de Paris.

Toques de Deus: Um convento de artistas?: “Mas, voltando aos artistas, não sabia sequer que eles vivessem e trabalhassem juntos. Pelos vistos, sim. Na zona limítrofe a norte da cidade, podemos encontrar um edifício dos anos vinte projectado arquitecto Adolphe Thiers com a intenção de alojar e oferecer um lugar de trabalho para (imagem só!) cento e oitenta artistas. E estão lá para todos os gostos: cineastas, escritores, ilustradores, músicos, pintores, fotógrafos e escultores. Não deve ser fácil, viver no meio destes doidos. Para alguns visitantes aquela tarde, parecia um sábado passado no jardim zoológico na zona de Sete Rios: seres raros, alguns em vias de extinção, enjaulados em cubículos e que faziam malabarismos. Para mim, e desculpem-me lá a imagem talvez viciada, pareceu-me um convento de artistas. A clausura delimitada por cada cubículo em formato mezzanine com o atelier e o respectivo quarto. Os espaços comuns marcados pelas varandas, pelos pátios e pelas salas de exposições. Para além disso, eles falam pouco. Gentilmente, muito gentilmente, abriram as portas mas não têm paciência – e eu também não teria – para tornar devasso aquele espaço. “

 

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