Nem acredito que vou citar este autor…

Pareceu-me muito adequado no entanto à situação que vivo.

“O folclore alemão conta a história de um homem que, ao acordar, reparou que seu machado desaparecera. Furioso, acreditando que seu vizinho o tivesse roubado, passou o resto do dia observando-o.

Viu que tinha jeito de ladrão, andava furtivamente como ladrão, sussurrava como um ladrão que deseja esconder seu roubo. Estava tão certo de sua suspeita, que resolveu entrar em casa, trocar de roupa, e ir até a delegacia dar queixa.

Assim que entrou, porém, encontrou o machado – que sua mulher havia colocado em outro lugar. O homem tornou a sair, examinou de novo o vizinho, e viu que ele andava, falava e se comportava como qualquer pessoa honesta. ”

Uma das coisas que mais me custa é fazer esforços para mudar, analisar-me durante horas,chorar rir perceber onde preciso mudar, encetar esse esforço, sentir realmente que mudei alguma coisa e que estou num processo de mudança, para continuar a ser julgada pelo passado é algo que me frustra para lá da irritação.
Faz-me sentir que nada vale a pena mais, atirar a toalha…
Talvez o Paulo Coelho tenha razão, julgamos os outros segundo a nossa pré-determinação e não vemos o que realmente está lá. Eu sei que o faço algumas vezes inconscientemente, mas sofre-lo na pele dá vontade de desistir de tudo, nada do que eu faça vai mudar a imagem que já está pré-concebida, porque ninguém fará o esforço de me tentar reconhecer.
Apetece partir e recomeçar noutro lugar onde ninguém me conheça, começar de novo, uma vida nova escrita numa folha branquinha.