Um País Novo-Rico!

Ao deparar-me com este excerto re-notei que Portugal é o país da mão estendida, de x em x tempo lá vamos ter com os nossos amigos e pedimos o pão por Deus.

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Temos a mania do melhor e maior do mundo, tudo entre portas tem de ser medido em relação ao outro, é a maior ponte da Europa, é a maior árvore de natal, aqui não se faz nada pequenino, não senhor, somos grandes e gostamos de mostrar isso.

Esta mentalidade está em tudo, é na função pública, é na vida política,  no dia a dia,tudo grande, mais caro e para mostrar, não interessa se não temos como pagar, mas temos de ter.

Nós éramos um pais remediado e de repente por volta de 1500 sai-nos o euromilhões da altura, como todos os novos ricos corremos a decorar tudo a ouro, aqui só do bom e do melhor e espalhamos a boa nova aos quatro ventos, mandamos embaixadas com elefantes e outras  excentricidades.

Conclusão quando se foram os anéis continuámos na mesma opulência  e não há maneira deste “povo” ( não gosto da palavra porque politicamente tem estado conotada com os coitadinhos e logo soa-me sempre ao vizinho do lado) se mentalizar que não temos, que somos muita coisa, muita coisa boa e alguma menos boa, mas que não somos o que temos, somos muito mais que isso, mas seremos muito menos enquanto for essa a forma de pensar,enquanto estivermos obcecados com as comparações com o “estrangeiro” e  em ser os melhores do mundo, nunca passaremos da mão estendida. 
Aquele mendigo que já todos encontramos na rua e recusa comida e se sente ofendido porque a oferecemos, mas que quer é dinheiro, porque sabe que alguém algures numa carrinha ao cair da noite lhe trás sempre uma refeição,  somos nós enquanto país. O ex-lider de um grupo parlamentar que acha ofensivo andar de Clio, ou o presidente da Câmara que quer fazer um filme para mostrar aos que nos emprestam que somos maiores do que na realidade somos, somos nós enquanto país, em quanto não deixarmos esta mentalidade de novo-riquismo parolo, vão vir os FMI, vamos estender a mão para ingleses e alemãos, vão-se repetir as mesmas crónicas ciclicamente escritas por diferentes pessoas, o essencial será sempre o mesmo, um País Novo-Rico, que perdeu tudo o que ganhou com o euromilhões mas acha que não.

Portugal não precisa de mais levantamentos de impostos precisa sim de “abaixamentos” do ego! Se não mudarmos a mentalidade não há Prémio Nobel da Economia que nos salve!

À atenção dos senhores Deputados

À atenção dos parlamentares portugueses fans de marcas automóveis germânicas: por aqui boa parte dos deputados do Bundestag vão de bicicleta para o trabalho e o parque automóvel não é gerido pelos grupos parlamentares, mas pelo próprio Bundestag tendo cada cêntimo de diesel de ser justificado ou na ausência desta justificação pago do próprio bolso. 
Uma nota adicional: a chanceler alemã tem como viatura oficial um Audi A8 ( blindado, etc, etc) mas não é raro vê-la a conduzir em privado, e sem sem puridos novo-riquistas, o seu velhinho VW Golf.”

Helena Ferro Gouveia, jornalista portuguesa em Berlim

E esta hein? Vejam lá se aprendem alguma coisa… E é também por coisas destas que eles emprestam e nós andamos de mão estendida.


Amanhã….

Por Alexandre Gamela

Amanhã

 

“Amanhã ninguém iria trabalhar. Nem saíria de casa para nada, nem para levar os putos a passear se estivesse bom tempo, ou para falar com os amigos no café sobre o jogo e e a vida que se complica. 

 

Amanhã ficaríamos todos no sossego do lar a olhar uns para os outros, para os que realmente importam na nossa vida e mostrar que sem eles não somos nada. A vida lá fora não existiria, as ruas ficariam e

ntregues às pombas e aos gatos vadios, e ao vento e aos loucos. 

 

E depois de amanhã seria igual, e depois e depois. Cidades desertas umas atrás das outras, e ninguém nos obrigaria a sair de casa, por mais que o crédito ameaçasse, ou o governo apelasse à ordem natural das coisas. O governo não manda, regula, mas nenhuma regra se aplica a um país deserto . 
 
Durante uma semana, iríamos parar, sem gritos, sem marchas, sem nada, a antecipar o que nos querem dar, que é um vazio maior do que podemos abarcar, uma revolução passiva e silenciosa que só resultaria num país de ficção.
 
Amanhã ninguém iria bater às portas à procura de trabalho ou para emigrar. Amanhã apagaríamos as luzes todas para mostrar como estamos por dentro. Amanhã sonharíamos no que faríamos amanhã, se houvesse um amanhã para nós. 

O que sobrou de hoje foi tudo, menos o nosso futuro.”

 
 
 
 
Uma ideia bonita, num país que cada vez parece sem futuro!