Nem acredito que vou citar este autor…

Pareceu-me muito adequado no entanto à situação que vivo.

“O folclore alemão conta a história de um homem que, ao acordar, reparou que seu machado desaparecera. Furioso, acreditando que seu vizinho o tivesse roubado, passou o resto do dia observando-o.

Viu que tinha jeito de ladrão, andava furtivamente como ladrão, sussurrava como um ladrão que deseja esconder seu roubo. Estava tão certo de sua suspeita, que resolveu entrar em casa, trocar de roupa, e ir até a delegacia dar queixa.

Assim que entrou, porém, encontrou o machado – que sua mulher havia colocado em outro lugar. O homem tornou a sair, examinou de novo o vizinho, e viu que ele andava, falava e se comportava como qualquer pessoa honesta. ”

Uma das coisas que mais me custa é fazer esforços para mudar, analisar-me durante horas,chorar rir perceber onde preciso mudar, encetar esse esforço, sentir realmente que mudei alguma coisa e que estou num processo de mudança, para continuar a ser julgada pelo passado é algo que me frustra para lá da irritação.
Faz-me sentir que nada vale a pena mais, atirar a toalha…
Talvez o Paulo Coelho tenha razão, julgamos os outros segundo a nossa pré-determinação e não vemos o que realmente está lá. Eu sei que o faço algumas vezes inconscientemente, mas sofre-lo na pele dá vontade de desistir de tudo, nada do que eu faça vai mudar a imagem que já está pré-concebida, porque ninguém fará o esforço de me tentar reconhecer.
Apetece partir e recomeçar noutro lugar onde ninguém me conheça, começar de novo, uma vida nova escrita numa folha branquinha.

TED – Lições sobre música e vida

José António Abreu o fundador d ‘ “El Sistema”. As realidades que o maestro fala não estão lá longe na Venezuela deparo-me com elas todos os dias no meu trabalho na Orquestra Geração, vê-se a mudança que provoca nos meninos e meninas e nas suas familias e comunidades.

o final desta conferência reporta-me a uma frase de Miguel Falabela que ouvi ontem “eles não sabem que vão morrer”. Por circunstâncias menos felizes, foi algo que a vida me ensinou há muitos anos e que tento empregar com aqueles que mais gosto e me são mais próximos, não gosto de zangas porque nunca saberei se é a última vez que falo com a pessoa, do mesmo modo que não gosto de ir para a cama zangada ou chateada, tira-me mesmo o sono.
Claro que é falivel porque somos todos humanos, mas é das poucas coisas a que presto muita atenção, porque existem arrependimentos que duram uma vida inteira e que nunca mais poderemos voltar atrás nem pedir desculpa.
E sei que às vezes sou até chata mas também não gosto de deixar de dizer quão importantes são para mim e quanto gosto delas, exactamente pelo mesmo motivo, caso me aconteça algo ou a elas não ficará por dizer.
Ninguém controla o dia seguinte e a maioria das coisas num contexto maior simplesmente não têm importância.

Domingo

É um domingo de trabalho depois de uma semana extremamente cansativa.
Gostei desta imagem que vi no blogue da Abby Try Again , faz-me ter esperança nos dias que virão, faz-me esquecer o cansaço e ganhar forças para enfrentar este último desafio.

Para quem queira assistir hoje é o Concerto Final das Orquestras Geração ( Orquestras Sinfónicas Juvenis para crianças que vivem em contexto de exclusão social), às 17h na Aula Magna em Lisboa, prometo que vale a pena ver parte do trabalho que estas crianças fizeram ao longo do ano.

Quem quiser saber um bocadinho mais sobre o projecto pode ouvir a reportagem que a TSF fez no concerto do ano passado, aqui.