Dietrich Fischer-Dieskau

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Não consigo precisar quantas vezes ilustrei este blogue com o som da sua voz, não consigo precisar quantas noites a sua voz me embalou, aconselhou e fez sonhar.

De certa forma tenho de equiparar à Elizabeth Schwarzkopf , foram ambos os meus grandes professores de Bach e Lieder.

Horas e horas de estudo a ouvir o som destas vozes imperdíveis e inesquecíveis.

A noticia apesar de não ser de todo inesperada, era um homem grande de 86 anos, deixa-me profundamente triste.

São demasiadas as minhas referências que já partiram, o que me faz sentir intelectualmente meio só….

Fischer-Dieskau emerged as a performer following the Second World War, and established a style of interpretation that focused on the poetry allied to an extraordinary control of timbre, tone and colour which gave his performances remarkable insight. Often working with Walter Legge as producer, Fischer-Dieskau’s style with its strong focus on the text is often compared with that of his contemporary and frequent partner Elisabeth Schwarzkopf. He was frequently partnered by Gerald Moore, Jörg Demus, Daniel Barenboim andAlfred Brendel, among other pianists. His work in the opera house was very wide-ranging, and linguistically broad (taking in Mozart, Strauss, Verdi, Wagner as well as modern works) but it was in song that he was unequalled. The baritone part in Britten’s War Requiem was one of numerous works written for him.”

nota da Deutsch Gramophone 

Não podia deixar de colocar aqui a sua voz divinal:


 

Já anteriormente tinha “postado” o Erlkönig mas é mesmo o meu lied de Schubert favorito e nesta versão é fenomenal.

Uma grande salva de palmas para o grande Dietrich Fischer-Dieskau.

Grrr…..

Há dias que correm bastante bem e acabam com noticias que nos deixam bastante abaixo….pior do que má noticias para mim é quando as tenho de dar aos meus alunos…..

Deixam-me assim triste, triste, triste 🙁

” O sonho dos Outros”

Poesia da sobrinha Rita Wemans, música do tio Bernardo Sassetti.

 

 

Sonho dos Outros

 
Há sempre uma imagem…
Sempre esta imagem de nós
imperfeitos, inacabados longe dos sonhos

e há sempre sonhos
sonhos doces, tão mágicos, tão desejáveis
mas tão longe do que somos e temos

há sempre outros
sempre esses outros que nos avaliam
que nos fazem corar, sorrir, amar, chorar.

e há sempre nós…
Nós bonitos, nós feios,
nós sozinhos, nós amados…

Quem me dera que houvesse
sempre uma imagem de nós
nos sonhos dos outros!

Rita Wemans

Saber Esperar de Rita Wemans

Li e gostei.

“Saber esperar…


Saber esperar o que já veio
Saber ter o que há-de vir
é mais do que pôr uma espe-
rança desmedida no futuro
e ir saboreando o hoje
e o amanhã…

Saber ter olhos para ver o invisível,
e ouvidos p’ra escutar
o que ninguém nos diz,
mas nós queríamos tanto…
Vale a pena sorrir
Quando o que esperam de nós são lágrimas
Vale a pena ver o pôr-do-Sol
e pensar na próxima manhã

Enchamos tudo de futuros
como se eles espreitassem
das nuvens, ou estivessem
à nossa espera para nos dizer
bom dia e para esperarem
até chegarmos lá.

Vale a pena acreditar nos sonhos e
palpá-los mais do que numa esperança vã!”

2000

(de Enchamos tudo de Futuros, Sopa de Letras, 2003)

É isto!

Estava a ler no Público uma entrevista antiga do Bernardo Sassetti à Laurinda Alves e encontrei a melhor definição para o que sinto em relação à música, no caso do Bernardo é em relação à composição, no meu caso é em relação ao canto.

Exactamente como uma necessidade emocional muito forte de transmitir coisas que tenho cá dentro. Coisas que nunca conseguirei expressar por palavras. É difícil explicar, sabe?! Muitas vezes sinto a música como se de um desabafo se tratasse.”

Há uns anos escrevi aqui neste blogue, que quando passo muito tempo sem cantar, doí cá dentro, é como se tivesse algo acumulado desejoso de sair cá para fora e que pressiona a carne porque tem de sair.

Nunca gostei de falar de mim dos meus problemas e sentimentos, não gosto dessa partilha, não é porque me possa sentir vulnerável ou por egoísmo, é mesmo porque sou assim , os meus sentimentos não se expressam por palavras, sempre fui assim desde que nasci, desde tenra idade que quando me quero expressar canto, o som e a música conta o que se passa comigo, quem eu sou, a minha essência, a quem quiser escutar com atenção.