
Crónicas da Yuki
Tem muita piada ter um cachorro bebé em casa! Tem, não se deixem enganar pelas palavras que se seguem, mas é extremamente cansativo, esqueçam o chegar a casa e sentar calmamente a ver uma série e relaxar depois de um dia extenuante de trabalho, porque isso passou a ser miragem. Já não existe mais!
Imaginem que o Katrina invadiu a vossa sala, invadiu a minha certamente, depois apanham-se dejectos (como é bebé não pode ir à rua portanto recorre-se ao sistema de resguardos ou fraldas), isto tudo com ela a saltar freneticamente literalmente agarrada às vossas calças e não fazem mais nada, não conseguem mesmo que queiram, brincam com ela, mas ela como passou o dia inteiro sozinha e o dia hoje foi longo, tem 10 horas de energia acumulada, o que é muito.
Faz trinta por uma linha, rói tudo o que apanha, os cantos da minha cama já estão esbranquiçados (a cama é preta) lembrou-se dessa hoje, tentam brincar com ela cansá-la e o telefone toca e atendem e do outro lado demoram e vocês vêem que ela como não lhe podem dar atenção ela vira-se para a Nikas ( a minha gata) não quer nada de mais, quer brincar, mas a gata provavelmente cansada do mesmo filme todo o santo dia, já não está para aí virada e mia, e ela ladra e a gata mia e os chatos ao telefone e a gata corre desenfreadamente, mas para qualquer lado que vá a cadela salta e vira e persegue-a, agora descobriu que a cadeira gira então fá-la girar com a pata e a gata não gosta de girar e mia e bufa e corre e quando corre a cadela persegue-a e ahhhh, o telefonema nunca mais acaba e estou farta do barulho e da perseguição e só penso que o que queria mesmo era chegar a casa sentar o rabo no sofá e ver uma série e depois ir fazer um bifinho com batatas fritas ( cheguei a casa e pus o bife a descongelar estava-me mesmo a apetecer, mas não esperava esta tourada, sabia que ela ia saltar e brincar mas não isto tudo, foi o primeiro dia que ficou tanto tempo só).
E o telefonema acaba e corre-se a brincar com ela, apanha a bola, salta corre mais um bocado atrás da gata que coitada começa já a ficar desesperada e esconde-se debaixo da cama e chamo a cadela mas a cadela não vem, ainda é pequena e tem dificuldade em perceber algumas coisas e de repente reparam que está um frio Árctico e que ainda não calafetaram a janela e precisam mesmo para não gelar hoje, e vão buscar o escadote e enquanto tentam equilibrar-se a cadela salta e tenta apanhar-vos os calcanhares e ahhhh que tenho vertigens pára com isso e ela nada, telintando de frio lá acabam a calafetagem.
E o que tenho mesmo é fome, mas o bife continua em cima da bancada à espera e corre-se e brinca-se e atira-se a bola e a gata ganha coragem e sai de baixo da cama e a cadela esquece-se de vocês para ir atrás dela, bem salvam a gata e colocam-na ao vosso colo enquanto ela olha para vocês com aquele ar: ” a culpa é tua, tu é que a trouxeste cá para casa”.
Isto dura três horas, três horas, estou cansada, com pena de não ser a Alberta Marques Fernandes para alguém me trazer um hamburguer e eu conseguir finalmente jantar ( o bife continua em cima da bancada à espera que eu consiga pô-lo no frigorifico, não há já qualquer chance de eu conseguir comer o meu bife com batatas fritas hoje), a Yuki adormeceu, a Nikas grata pelo sono alheio, aninhou-se no meu colo e aqui adormeceu e a casa finalmente sossegou e eu estou presa.
Três horas depois, são 22h e só me apetece enfiar na cama e adormecer extenuada, mas querem saber o mais irónico, amanhã vou acordar com os saltos dela (Yuki), com a Nikas aninhada em cima de mim ou ao meu lado e vou sentir-me a mulher mais sortuda do mundo, mas por agora só queria comer mesmo qualquer coisa e ver uma série sentada no sofá.
Felicidade
“o meu conceito actual de felicidade prende-se muito com o pijama (ficar de pijama, vestir o pijama)” diz a Clara no seu Conto de Fuga.
Eu não vou tão longe, mas de facto felicidade hoje em dia é quando não tenho de ir trabalhar, as sextas-feiras então são um tormento. Nota para posteridade, quando alguém nos pedir um favor de trabalho recusar sempre, traz água no bico.
História da Música Ilustrada em 7 minutos
2013
O ano de todas as mudanças e vão ser muitas, de vida, de carreira, de país…
Apetece-me ir sem pensar na volta, ir de mochila às costas e conhecer, viver, respirar, cantar.
Quero viver uns anos aqui e acolá e depois mudar e depois recomeçar e conhecer novamente durante muito tempo.
Durante muito tempo neguei esta minha alma nómada, mas a verdade é que a certa altura começo a ficar irrequieta por dentro, aconteceu-me nos 18/19 a partir dos 24/25 mas neste demorei a mudar e está-me a acontecer agora, vou eu e as miúdas e vamos conhecer mundo, à aventura sem paragens certas nem certezas de nada, vamos, vamos viver.
Cansei-me, fartei-me, estou aborrecida e quieta no meu lugar, se não concretizar este meu sonho, nunca mais saio da cepa torta, da tortura dos dias, de ser espécie de zombie mas com melhor aspecto.
Convite: Glosas 7
No próximo domingo às 16:00 na Biblioteca Nacional será lançado mais um número da Revista Glosas, uma revista sobre música lusófona.
Este número será dedicado a Frederico de Freitas.
Quem quiser assistir ao lançamento a entrada é livre e haverá um pequeno momento musical e uma conversa com Henrique da Luz Fernandes, ex-violoncelista da Orquestra da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional.
A não perder!

Por estas e por outras….
Que está proibida de saltar para o sofá!

KKK – oh happy day!
Muito bom!
Vinte Anos
Vinte anos passaram desde a morte de Rudolf Nureyev, desde miúda que sempre fui fascinada pelo modo de dançar de Rudolf Nureyev, com dois anos andava em bicos dos pés a imitá-lo, fui para o Ballet por causa dele, vi os vídeos dele horas e horas sem fim na infância e adolescência, a primeira vez que subi a escadaria da Ópera de Paris, teria uns 10 anos lembro-me de pensar que o Rudolf Nureyev tinha subido imensas vezes aquelas mesmas escadas que eu na altura pisava e que pisei mais umas quantas vezes desde então.
Porque merece ser lembrado a pessoa, o bailarino, com quem aprendi algumas coisas que uso na minha vida.
True!

