Eu me transformarei em ouro

“J’ai compris tous les mots, j’ai bien compris, merci
Raisonnable et nouveau, c’est ainsi par ici
Que les choses ont changé, que les fleurs ont fané
Que le temps d’avant, c’était le temps d’avant
Que si tout zappe et lasse, les amours aussi passent

Il faut que tu saches

J’irai chercher ton cœur si tu l’emportes ailleurs
Même si dans tes danses, d’autres dansent tes heures
J’irai chercher ton âme dans les froids dans les flammes
Je te jetterai des sorts pour que tu m’aimes encore

Fallait pas commencer, m’attirer, me toucher
Fallait pas tant donner, moi je sais pas jouer
On me dit qu’aujourd’hui, on me dit que les autres font ainsi
Je ne suis pas les autres avant maintenant,
Avant que l’on s’attache, avant que l’on se gâche

Je veux que tu saches

J’irai chercher ton cœur si tu l’emportes ailleurs
Même si dans tes danses, d’autres dansent tes heures
J’irai chercher ton âme dans les froids dans les flammes
Je te jetterai des sorts pour que tu m’aimes encore

Je trouverai des langages pour chanter tes louanges
Je ferai nos bagages pour d’infinies vendanges
Les formules les magiques des marabouts d’Afrique
Je les dirai sans remords pour que tu m’aimes encore

Je m’inventerai reine pour que tu me retiennes
Je me ferai nouvelle pour que le feu reprenne

Je deviendrai ces autres qui te donnent du plaisir
Vos jeux seront les nôtres, si tel est ton désir

Plus brillante, plus belle, pour une autre étincelle
Je me changerai en or pour que tu m’aimes encore

Pour que tu m’aimes encore…”

Jean-Jacques Goldman

Post roubado

“para as mulheres que vivem o pior dia.
no dia 10 de maio de 2010 o meu médico disse-me que o coração do meu bebé tinha parado. assim. sem grandes explicações porque não as tinha. e, apesar de ser como ele disse “comum” o que eu senti naquele dia foi tudo menos comum. foi a dor da perda, a frustação, a culpa. foi o pior dia. aquele dia 10 de maio foi o pior dia. pior que o outro que se seguiu em que tive que passar pelas dores físicas para retirar o meu bebé a quem tinha parado o coração. era uma gravidez recente, mas nada nem ninguém me conseguiu convencer de que a minha dor tinha que ser menor por isso. nem mesmo aqueles que me trataram como se eu estivesse a recuperar de uma constipação. aqueles que me deram os parabéns quando souberam que estava grávida e que depois me disseram “isso não foi nada, já passou”. não passou, nunca passou.
mas também não passou um ano. não passou um ano e eu já tenho a minha filha nos braços. outra filha. no dia 3 de maio de 2011 nasceu a maria. uma coisinha linda de quem eu não consigo tirar os olhos. e se eu não esqueço aquele dia que foi o pior, hoje, quando penso nele, vejo-o de maneira diferente. este ano foi um ano de muitos medos. de voltar a perder, de voltar a sentir culpa. de voltar a ouvir “para a próxima consegues vá”. de voltar a sentir que não podia dizer a ninguém que perdi um bebé, porque as pessoas não querem falar nisso. porque é um assunto de que não se fala.
e na altura, em maio de 2010, foi através da internet que conheci muitas estórias de mulheres que tinham passado pelo mesmo do que eu. uma, duas vezes. vezes demais. e foi com elas que ganhei coragem para tentar de novo.
e isto serve para isso mesmo: para dizer às mulheres que estão a passar por aquilo que eu passei que ainda não fez um ano e a minha estória agora é outra. que a coragem, a força e a esperança não devem ser derrotadas por dias que não são esquecidos, mas que são superados por outros bem mais felizes. como o dia em que finalmente conseguimos conquistar aquilo com que tanto sonhámos, que planeámos com tanto carinho. o que nos faz seguir em frente.
é que ainda não passou um ano e a maria, a minha filha, já está aqui a dormir. mesmo ao meu lado.”

menina in buááá…ó mãezinha!

 

Por norma não copio, nem promovo posts dos outros, mas este acho que pode ajudar muitas mulheres que sofrem em silêncio.

Andando por entre as gotas de chuva

Alguém conhece um sitio bom para gritar, daqueles gritos em que retiramos tudo o que nos aborrece da alma?
Precisava de um desses sítios, daqueles vazios, sem gente nem bichos, daqueles onde a solidão preenche todos os espaços disponíveis, precisava de um sitio para gritar para esvaziar toda a revolta que aqui anda por dentro.
Sinto-me como se andasse por entre as gotas da chuva, as pessoas só se apercebem de mim quando já não estou, quando me cansei, quando me fartei, quando bati com a porta, sinto-me ignorada, desrespeitada, e não me sinto assim de hoje já dura algum tempo, hoje disse basta.