Entre aulas, o descanso que cada vez mais é preciso e necessário.
Em véspera de estreia juntam-se os nervos que pelos alunos são sempre maiores…
Évora Anti-Crise
Olhos Molhados
De António Pinho Vargas, foi-me relembrada pelo próprio hoje, às vezes esqueço-me no meio da azafama das coisas que gosto e gosto muito da música de António Pinho Vargas.
“Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam, a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam, os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho.”
Mia Couto
“HOLOCAUST – A Music Memorial Film from Auschwitz”
“Soprano: Isabel Bayrakdaraian, Sinfonietta Cracovia, conducted by John Axelrod.
Taken from “HOLOCAUST – A Music Memorial Film from Auschwitz”. For the first time since its liberation, permission was granted for music to be
heard in Auschwitz and a number of leading musicians were brought there to perform music for the film.” ( informação disponibilizada juntamente com o video no youtube).
“Vamos construir uma Cidade” – Orquestra Geração
Algum do trabalho que tenho feito este ano envolve esta ópera “Vamos construir uma Cidade” de Paul Hindemith, estreia dia 17 de Junho no Centro Cultural Olga Cadaval.
Fica aqui uma pequeno vislumbre do trabalho fantástico que estas crianças têm desenvolvido.
Um aparte
É impressão minha ou anda tudo mais leve e sorridente, nem de propósito cheira a D-Day.
Hoje entre várias coisas que li, li “5 de Junho sempre, socialismo nunca mais” o plágio é mais que óbvio, mas com sentido, ontem durante as perguntas feitas pelos jornalistas ao falecido fiquei com a nítida sensação que a censura já tinha saído das redacções, não do Altis, mas das redacções sim.
Apesar da chuva que reina lá fora hoje o dia cheira a esperança, a coisas boas, a um futuro melhor…poderemos desiludir-nos todos daqui a uns tempos, mas por agora sabe muito bem esta leveza.
vistas…
aulas para 2/3 anos
Geni e o Zepelim
Geni E O Zepelim
Chico Buarque
Composição : Chico Buarque
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,
Dos cegos, dos retirantes;
É de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina,
Atrás do tanque, no mato.
É a rainha dos detentos,
Das loucas, dos lazarentos,
Dos moleques do internato.
E também vai amiúde
Co’os os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir.
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir:
“Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!”
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante,
Um enorme zepelim.
Pairou sobre os edifícios,
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim.
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia,
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: “Mudei de idéia!
Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniqüidade,
Resolvi tudo explodir,
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir”.
Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar;
Ela é boa de cuspir;
Ela dá pra qualquer um;
Maldita Geni!
Mas de fato, logo ela,
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro.
O guerreiro tão vistoso,
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro.
Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela),
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre,
Tão cheirando a brilho e a cobre,
Preferia amar com os bichos.
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão:
O prefeito de joelhos,
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão.
Vai com ele, vai Geni!
Vai com ele, vai Geni!
Você pode nos salvar!
Você vai nos redimir!
Você dá pra qualquer um!
Bendita Geni!
Foram tantos os pedidos,
Tão sinceros, tão sentidos,
Que ela dominou seu asco.
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco.
Ele fez tanta sujeira,
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado.
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir,
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir:
“Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!



