Al pie!

Sempre que me magoo num pé lembro-me desta ária da Musetta, porque aqui parece uma coisa tão fútil e pouco preocupante, no entanto nos últimos meses tenho andado aflita de um e hoje dei o segundo grito mais profundo da minha alma ( sendo que o primeiro foi quando a minha gata pequenina na altura fugiu e eu me apercebi que ela tinha saído de casa), a Yuki não só pisou-me o pé como rasgou com a unha no sitio problemático, garanto-vos que o grito foi muito à la Musetta e claro que a bichinha ficou aflita e queria chegar perto de mim e quanto mais ela chegava mais eu a queria ver longe, com uma dor como nunca tinha sentido.

*auch já vos disse?

Só tenho uma coisa a dizer

Em relação aos atentados de Boston, eu até sou pacifica contra a justiça feita pelas próprias mãos, pena de morte e afins, mas posso-vos dizer que espero que o filho da p*** (desculpem o meu francês) que planeou aquilo devia sofrer e sofrer e ser obrigado para olhar para cada uma das vitimas e ver o mal que lhes tinha feito e depois seguia-se uma bela de uma sessão de tortura feita com aqueles objectos da idade média, que arrepiam só ao olhar.

Juro-vos que não entendo o que passa na cabeça de alguém para fazer uma coisa destas, inocentes, uma prova pacifica de desporto, pessoas de todos os feitios, de toda a parte, de todas as religiões, não pode haver motivo, é maldade pura, é ser podre por dentro. 

Tenho dito, sempre que leio mais alguma coisa sobre os atentados arrepio-me da cabeça aos pés, não percebo não compreendo, não há justificação possível, atacar crianças….

A disciplina de Português é um crime contra o Futuro

Por Luís Osório.

 

Estudar Português com os meus filhos é uma viagem ao inferno. Faço por disfarçá-lo. Talvez por achar que as dúvidas acabarão por prejudicá-los ainda mais do que a conta a pagar.

 Mas cá para nós. Para os que acreditam que o pensamento deve alargar-se com especulação, sonho, dúvidas. Para os que julgam ser a escrita a melhor ferramenta para se compreender e viajar pela língua que deveríamos defender como soldados de um exército do pensamento. Para os que lêem romances, biografias e ensaios. Para os que escrevem e pensam. Cá para nós, a forma como se ensina Português nas escolas é um crime. Um escândalo. Uma forma, como diz um amigo professor, de criar amputados mentais.

Porque os miúdos não aprendem a ler e escrever. Os miúdos aprendem apenas, e de um modo rápido, a detestar a disciplina e a afastarem-se, para todo o sempre, da leitura e da escrita.

Na disciplina de Português não se viaja pelo pensamento. Atraca-se num lodo de gramática, campo árido para burocratas da língua que são o prolongamento de tudo o resto. Infelizmente, estudar o que deveria ser o centro do que somos, a nossa identidade, faz-me lembrar os dias em que era obrigado a tomar óleo de fígado de bacalhau.”

Pelo que vou acompanhando dos meus alunos e o gosto pela disciplina é muito isto, gramática gramática e gramática, não aquela que nós estudamos, uma nova em que os complementos têm nomes diferentes e os advérbios são aos milhares, os pais vêm-se gregos com esta nova nomenclatura e sentem-se impotentes para ajudar os filhos.

Quem me ensinou a gostar de ler foram os meus pais, não há dúvidas quanto a isso, encheram-me a casa de livros, mas foram as minhas professoras de português que me expandiram os horizontes, que me fomentaram a escrita, que me ensinaram e mostraram o que estava para lá do programa. Tenho muita pena que os meus alunos hoje em dia detestem com tanta veemência a disciplina e o seu conteúdo, mas quando olho para os manuais percebo-os perfeitamente é difícil apaixonarmo-nos por regras, mas é tão fácil viciarmo-nos no Alexandre O’Neil, no Vergilio Ferreira, no Eça, no Júlio Dinis e tantos outros…

 

José Oliveira Lopes

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Faleceu hoje o cantor e professor José Oliveira Lopes, uma das maiores vozes deste país. Gerações de cantores ficam-lhe eternamente gratos. 

O testemunho do Professor Rui Vieira Nery:

Teve uma das carreiras líricas mais relevantes dos cantores portugueses da segunda metade do século XX, dentro e fora de Portugal. Foi certamente o primeiro cantor nacional que se especializou na interpretação de Lied e Oratória, depois dedicou-se a um trabalho notável de formação de jovens cantores portugueses, nas principais escolas do País. Já no final da vida decidiu juntar à sua experiência artística e pedagógica a reflexão teórica e – completados o Mestrado e o Doutoramento – publicou um livro notável sobre o Canto em língua portuguesa, para o qual me deu o privilégio de me pedir um prefácio. Tinha uma personalidade solar, gostava da vida e dos seus prazeres, era um amigo leal dos seus amigos e era sobretudo um homem bom e generoso. Ficámos todos mais pobres e mais sozinhos.”