“Feridas Invisíveis”

Este é um texto muito interessante, sobre  a vida de um veterano da Guerra do Vietname, de certa forma explicou-me algumas coisas da forma como sou e como fui educada.

Leiam que vale a pena perder 10 minutos a ler a história de Karl Marlantes.

Those clouds of war can take a decade to engulf a veteran. Marlantes didn’t have his first flashback until about 15 years after he left Vietnam, when he walked into a business meeting one day and saw a pile of mangled bodies on the conference table.”

“When the peace treaty is signed, the war isn’t over for the veterans, or the family,” he says. “It’s just starting.”

T-5

Faltam 5 dias para a alforria….

Chateia-me que esteja tão cansada que só consiga pensar em quarta-feira que vem, porque no entretanto vou ter um domingo que em circunstâncias normais iria gostar bastante.

Audição dos meus alunos da Orquestra Geração, é sempre um momento em que me sinto orgulhosa deles e do trabalho que vêm conseguido concretizar, acompanho grande parte deles ao piano e nos ensaios tenho visto uma evolução verdadeiramente notável desde o Natal, trabalharam bastante, dá gosto trabalhar assim com miúdos que se esforçam e furam as dificuldades.

 

isn’t life strange

Apesar de ser nómada no trabalho e encontrar dezenas de pessoas todos os dias, a maioria com idade inferior a dez anos, sinto-me muito só, sinto-me agarrada as pequenas rotinas como que para espantar o vazio que a solidão deixa no dia a dia…

De repente o objecto mais importante passa a ser o telemóvel ( não porque faz chamadas mas porque me liga ao mundo, a civilização a que gostava de pertencer mas o meu quotidiano não permite) dou por mim constantemente no twitter à procura de novidades, coisas interessantes para ler, nos jornais nacionais e internacionais, algo que ajude a saber mais, porque sinto-me estancada a dar aulas, sinto que estou a perder vida la fora.

Olho para o email e para as sms a procura de novidades e noticias que raramente chegam porque as pessoas estão ocupadas e a trabalhar.

Se ficasse sem telemovel acho que os meus dias iam ser ainda mais deprimentes, porque esta solidão que sinto diariamente seria ainda maior, o mais engraçado de tudo isto é que eu não gosto de receber telefonemas…

Passo mais tempo fora de casa do que alguma vez passei e sinto-me aborrecida, parada no tempo, sem tempo para fazer as coisas que quero e preciso, sozinha…muito sozinha.

Conclusão e nota para o futuro, aceitar menos horas de trabalho, recebo menos mas sou mais feliz e não me sinto a desperdiçar tempo precioso de vida…

coisas verdadeiramente doentias….

Quando não sei dela há mais de vinte e quatro horas começo a ficar com o coração apertado e não penso em mais nada….já sem falar na quantidade de porcaria negativa e assustadora que invade o meu cérebro…bolas se tenho capacidade para o auto-boicote, livra!

E o pior é que sei que está bem, que está a ser tão bem cuidada como se estivesse comigo, à partida seria fácil mandar estes pensamentos negativos embora mas e o coração sossegar? arghhhh

Ponho-me a pensar se é assim com ela agora vai ser bonito no dia em que tiver filhos :S:S