Sou mesmo…

Uma grande mariquinhas no que diz respeito à minha Nikas, hoje encontrei-a doentinha, a chorar, corri para o veterinário, está a ser tratada, mas eu juro-vos que ainda estou com as pernas a tremer e que perdi toda a fome que trazia quando cheguei a casa.

Quando ela fica doentinha, o chão falta-me, fico completamente pataroca e só me apetece agarrar-me a ela e não a largar.

Nestes dias amaldiçoo todos os minutos que passo longe dela, nestas alturas o que é importante na minha vida fica claro e nítido e ela surge sempre como primeira prioridade altamente negligenciada, porque nesta altura o sentimento que sinto quando estou longe dela, as saudades que me ocupam todo o santo dia em que estou fora de casa, ficam gritantes e o medo de algum dia a perder apodera-se de cada centímetro do meu ser e tenho a certeza que quando esse dia chegar, daqui a muitos anos, a única coisa que me vou arrepender é exactamente destas alturas em que passo tanto tempo longe dela, e ponho-me a pensar se vale a pena, porque quando olho para ela tenho a certeza que não vale, e que queria ter um emprego que me permitisse passar os dias com ela. 

2013

O ano de todas as mudanças e vão ser muitas, de vida, de carreira, de país…

Apetece-me ir sem pensar na volta, ir de mochila às costas e conhecer, viver, respirar, cantar.

Quero viver uns anos aqui e acolá e depois mudar e depois recomeçar e conhecer novamente durante muito tempo.

Durante muito tempo neguei esta minha alma nómada, mas a verdade é que a certa altura começo a ficar irrequieta por dentro, aconteceu-me nos 18/19 a partir dos 24/25 mas neste demorei a mudar e está-me a acontecer agora, vou eu e as miúdas e vamos conhecer mundo, à aventura sem paragens certas nem certezas de nada, vamos, vamos viver.

Cansei-me, fartei-me, estou aborrecida e quieta no meu lugar, se não concretizar este meu sonho, nunca mais saio da cepa torta, da tortura dos dias, de ser espécie de zombie mas com melhor aspecto.

Tic Tac…

A passar por uns dias difíceis dos mais difíceis que tive de enfrentar, com o coração apertado e um nó na garganta, mas “chutando” para a frente porque para trás não se resolve nada, não me apetece sair, vou trabalhar porque a maldita consciência obriga mas sem prazer nenhum, sempre a contar os minutos em que volto para casa e volto para ela. Com esperança, muita esperança, um mar cheio de esperança que tudo se vai resolver bem e que daqui a uns tempos já está completamente recuperada e o meu coração também.

É como se no meu pensamento se tivesse aberto um túnel que leva a ela, nada mais interessa, nada mais me preocupa, tudo o resto desapareceu, preciso que ela esteja bem, que se sinta bem, que se sinta protegida, que sinta sobretudo que é amada profundamente e que a dona se preocupa e gosta muito dela e que as minhas ausências sejam os mais breves possíveis, porque  também sei que ela é mais feliz e alegre quando está acompanhada. Ninguém nasceu para estar sozinho, se eu não nasci muito menos ela. E quero estar aqui sempre ao lado dela. Se ela estiver bem eu estou bem, tudo o resto é acessório.

E agora vou dormir e sonhar com ela, quando acordar serei reconfortada com os melhores beijos e abraços do mundo que só ela tem o poder de dar.