Tempo

A vida foi-me ensinando da pior maneira que nunca temos tempo, ainda em tenra idade por altura da adolescência me ensinou a nunca deixar por dizer o quanto gosto das pessoas que me são mais queridas, mesmo correndo o risco de ser chata. Com a idade tenho aprendido que a linha da vida corre mais rápido do que gostaríamos, que o pensamos deixar para amanhã por vezes pode não vir a acontecer, porque subitamente deixamos de ter amanhã.

Durante grande parte da minha existência sempre disse apaixonar-me mais por causas do que pessoas e depois as pessoas certas começaram a fazer parte da minha vida e de repente o poder não ter amanhã tornou-se um medo, o medo de dizer a palavra errada e não ter oportunidade de a desfazer. Medo de não ter oportunidade de dar um último abraço de dizer o quanto significam. Como o terminar de um dia para mim sempre significou o fechar de um capítulo não gosto de ir para a cama zangada ou irritada, porque tenho noção que as minhas zangas e irritações num plano maior não significam nada.

Hoje Miguel Esteves Cardoso escreveu este texto, imediatamente na minha mente juntaram-se as pessoas que me são mais queridas e o medo apoderou-se, apesar do meu primeiro instinto ser pegar no telefone e ligar-lhes dizer o quando significam para mim, não o faço porque não quero incomodar….

“Ainda Ontem

Às vezes encontramo-nos com a cabeça nas mãos. Tudo o que poderia ter corrido bem correu mal. O mundo, que era igual à vida, afasta-se de repente. Distancia-se e continua a existir, como se nada tivesse a ver ou a haver connosco, como se fizesse questão de mostrar a independência dele mundo, que não existe só porque nos damos conta dele. A má noticia é má, mas a pior, para quem cá está, é a pessoa. A minha pessoa é a Maria João e a Maria João passa mal. Nem o amor nem a sabedoria médica a podem salvar. Só uma conjunção das duas coisas, mais um acrescento de milagre.

O cabrão do cancro alastra-se. Exterminado no pulmão ou na mama, foge para o cérebro, onde se refugia e cresce. Forma uma força da morte, aproveitando as barreiras antigas entre o sangue e o cérebro, que infiltra conforme lhe apetece.

Hoje, domingo, é o último dia em que estaremos juntos, dois amores, felizes há quase vinte anos. Amanhã, logo às nove da manhã, estaremos na consulta dos excelentes neurocirurgiões do Hospital de Santa Maria, onde nos avisarão das complicações possiveis. Obama deveria inspirar-se na perfeição clinica e humano do serviço de saúde português e francês. Mas a dor não diminui. Nem a tristeza abranda.

Vai morrer o meu amor. Não vai. Como o meu amor por ela, nunca há-de morrer.

As coisas acontecem sem acontecer o pensamento nelas. A alma, o coração e a cabeça são coisas diferentes. Que se dão bem. E são amigas. E deixam de ser quando morrem.”

Miguel Esteves Cardoso

A frase “vai morrer o meu amor” é daquelas que nos fazem cortar a respiração, sentir-nos à beira do precipício, fazemos automaticamente uma espécie de catarse que nos retira o fôlego e a respiração. Felizmente para nós é apenas uma sensação uma emoção, infelizmente para o Miguel Esteves Cardoso é uma realidade.

O tempo passa a correr, pregando partidas e nem sempre indo na direcção que desejamos.

A minha mãe quando eu era pequenina repetia-me sempre esta lengalenga quando eu tinha pressa:

“O tempo pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo,que não tem tempo de dizer ao tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem”

Temos o tempo que o tempo tem, muito ou pouco só o futuro o dirá.

Frases que nos cortam o coração….

Aluna de 9 anos ontem: “Não tenho medo de nada, já perdi o meu pai e a minha mãe não imagino que me possa acontecer algo pior”

Limitei-me a acenar com a cabeça como que a dar-lhe razão. É uma força da natureza esta menina, sempre com um sorriso, bem disposta, pronta para tudo, excelente aluna e por força das circunstâncias muito crescida para a idade que tem, a tragédia que lhe aconteceu não lhe serve de desculpa pelo contrário serve de motor. É já, em ponto pequeno, um exemplo para muita gente.

Não conheço a canção….

mas se soubesse cantava com eles também, bem alto todos os dias…. e quando o anormal fosse preso punha a tocar em loop na cela dele.

para quem não sabe é a canção que Breivik disse odiar, fala do arco-íris, das flores a crescer,  igualdade e fraternidade. É que lavagens cerebrais destas eu quero que todas as crianças tenham…sou a favor.

A sério, era prisão perpétua sem pensar duas vezes, como castigo na cela a passar sem interrupção, um video com a história das vitimas, uma por uma contada por amigos e familiares, para eles os conhecer bem um a um terem rosto, história, não serem números. Na solitária sem poder contactar com ninguém.

Israel/ Iran

From the people to the people!

Depois veio a resposta

 

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No fundo é isto, o povo Iraniano que luta pela sua liberdade, liberdade de expressão, liberdade na forma de viver, está a tentar lutar contra um regime fanático e opressor ao mesmo tempo que tem a espada da guerra a pairar sobre a sua cabeça. A guerra com o Iraque ainda está demasiado presente na memória das pessoas, não querem mais guerras, ao contrário do que fazem parecer os seus lideres o comum Iraniano não tem sentimentos bélicos nem é fanático. Eles só querem ser livres. Claro que existe gente fanática, existem cá mesmo no nosso país, mas temos a sorte de não serem esses os que nos representam.

História que não devemos esquecer – 5 de Abril de 1992

Este é o testemunho de Christiane Amanpour a propósito dos 20 anos da Guerra na Bósnia.

Twenty years ago, April 5, 1992, Suada Dilberovic and Olga Sucic were shot and killed in Sarajevo. They were the shots heard around the world and they started the Bosnian War.

I covered that war, and many colleagues are gathering in Sarajevo now to commemorate what took hundreds of thousands of lives, left so many more wounded, and created millions of refugees. This was the war that introduced us to the term “ethnic cleansing.”

The dominant Balkan power at the time, Serbia wanted to keep Yugoslavia together, and failing that, to carve out ethnically pure areas in the breakaway states to create a Greater Serbia.

It was a horrible fantasy that sought to destroy an ethnically mixed, intermarried community that had lived peacefully and progressively together in Bosnia.

This war was defining for the region, for the world and for those of us who covered it.

We witnessed the heroic resistance of a population under siege and shelling and sniping for nearly four years. We learned the pain of watching men, women and children brutally slaughtered. These were the non-combatants, casually targeted in the crosshairs of the sniper’s rifle, blown apart by mortar shells when they went to collect water, bread, fuel or even heading to school.Sarajevo’s ‘Romeo and Juliet’

We learned the bitter cynicism of the international community that refused for some time to intervene, the United States and its allies finding every which way, and every tortured rhetorical device — including refusing to use the word genocide — to avoid getting off the sidelines.

I will never forget going to the funerals, one for a little girl called Almedina. Sarajevo had run short of everything even the letter “A” so Almedina’s grave marker could not be spelled correctly.

I will never forget the mothers and fathers who would try to brave the siege around Sarajevo airport, then try to make a dash to the other side where in one village they could buy or scrounge some fresh fruit or vegetables, anything to complement the meager rations and dried food the humanitarian airlift would bring.

The night I was out there, a father managed to find a single apple for his child. For that he had risked his life.

On Friday more than 11,000 empty chairs will be arranged in silent poignant and powerful memory of Sarajevo’s war dead.

Along with the citizens of Sarajevo and other besieged Bosnian towns and villages, many of our colleagues were killed and wounded.

And who will ever forget the death camps, the skeletal prisoners who evoked the terrible crimes of World War II? But this was at the end of the 20th century. This was the satellite age. We were there and we reported the story day in and day out, week after week, month…year after year.

This was the era of “never again” and it was happening again — ethnic cleansing and genocide here in our own backyard, and on our watch. We fought back with all the power of our media.

For me, Bosnia was where I learned about the truth. Horrified when the do-nothing crowd suggested I was taking sides, or losing my objectivity, I was forced to confront this charge, and examine our Golden Rule.

Here in Bosnia I determined that in the face of unspeakable crimes and the most serious violations of international humanitarian order, there is no moral equivalence, no blurring the line between victim and aggressor.

Objectivity means giving all sides a fair hearing. It does not mean drawing a false moral equivalence. In this case there is no one-hand-or-the other. And anyone who seeks to hide under that calumny is not just a liar, but an accessory, in this case to genocide.

I refused. It is the lesson of my lifetime.

As we all know, tens of thousands of deaths later including at Srebrenica in the summer of 1995, the worst massacre in Europe since World War Two, the U.S. finally intervened with NATO allies, ended the war and launched the peace that holds to this day.

No country, no crisis, is the same. Of course Syria is not Bosnia, nor is it Libya, but in Syria today a heavily armed military is besieging and slaughtering ordinary civilians and outgunned rebels too as the state tries to crush an uprising.

Just like in Bosnia, the Syrian rebels/opposition have been denied the right to self defense, for fear of “accelerating the conflict on the ground and making it worse.”

Just like in Bosnia when the U.S. and its allies said they could not intervene “because it’s a civil war and all sides are equally guilty,” (although that was not the case as there was a clear aggressor) in Syria today they say they “don’t know who to help, who to arm, the opposition is fragmented.”

The lesson of Bosnia is that our democratic and free world which seeks to uphold the highest values bestowed on humankind, could no longer watch as ordinary civilians were butchered.

It’s a lesson that took too long to implement, and the peace is not perfect, but at least the killing stopped.”


Melinda Gates

Hoje fiquei a conhecer Melinda Gates através de uma conferência da TEDxChange.

Uma grande senhora com o coração e a mente no lugar certo, que quer despertar consciências, não para um mas, para vários problemas que afectam milhares de pessoas em todo o mundo.
A erradicação da Poliomielite e acesso a planeamento familiar e meios contraceptivos para todas as famílias e mulheres do globo, são causas que necessitam ser defendidas.
Ao contrário deste programa 60 minutos, eu não quero saber das quantias que os Gates gastam com filantropia, não me interessa, sinceramente também não me parece que lhes interesse a eles. Interessa-me sim saber que existem estas causas e que no divulgar destas informações podemos ajudar mesmo que de forma pequena. Vejam o video e sigam os “links” para conhecerem um bocadinho melhor este trabalho admirável.

 

Mais informações no site da Gates Foundation.

Sobre Planeamento familiar universal aqui.

O Cerco a Sarajevo por quem o viveu!

Pela jornalista Maria João Carvalho:

“No dia 6 de abril de há 20 anos teve início o cerco de Sarajevo. Eu podia apenas vestir a t-shirt comprada que afirma “I survived Sarajevo… twice”. Mas não. Eu estive lá. E não tenho grandes sobressaltos ao revisualizar imagens com som das explosões, não. O meu problema sempre foi com os iatos, o silêncio. Quatro cadáveres de crianças apanhadas por uma granada de obus quando brincavam num túnel. Por exemplo. A pausa do médico a quem dei cigarros e perguntei porque não salvava um pé ê ia amputar três membros a uma idosa. O escândalo no olhar dele: “e deixo morrer os outros mutilados para salvar o pé da velha?” Silêncio. O meu, muito envergonhado.
Este fim de semana vamos encontrar-nos, os sobrevivos de Sarajevo, repórteres de guerra e escritores, atores da defesa da cultura durante o atroz sacrifício do bem comum… vamos lembrar o incêndio na biblioteca milenar, o estatelar das granadas nos muros de meio metro em frente ao parlamento e os torniquetes que éramos obrigados a fazer das camisas rasgadas enquanto os carros da UNPROFOR passavem sem parar como gente doida – “a ONU não permite o socorro a civis, neste mandato”…ainda ecoa na minha cabeça. E os bósnios atreviam-se a sair de casa, durante os bombardeamentos, e a trazer veículos para levarmos aqueles corpos meio desfeitos ao Kosova Hospital. Os médicos, enfermeiros e voluntários, eram alvejados quando nos ajudavam a retirar aquela gente dos atrelados. E a nossa ausência era fatalmente justificada com “menos ou mais um jornalista”! Neste caso tenho de admitir na minha categoria dos Heróis sem Tempo” todos os civis de Sarajevo, de todas as etnias, que ajudaram a salvar vidas. Bem Hajam.
Por mim, os anos de sofrimento por ainda ter pernas, levaram-me quase a perder uma. Até que compreendi o meu dever de testemunho e a minha enorme dívida para com os que me desviaram da minha morte ou morreram em vez de mim, com as balas e granadas que me foram destinadas. Gracias, Ortega. Salam Alekum, Ibhraim. Arigato, Kori. Obrigada, Capitão Santana… e tantos outros. E obrigada a todos os atores que levaram à cena durante o cerco a peça Abrigo e me convidaram para sobreviver com eles durante dois dias. Gracias a La Vida, como diria Joan Baez.”

“Feridas Invisíveis”

Este é um texto muito interessante, sobre  a vida de um veterano da Guerra do Vietname, de certa forma explicou-me algumas coisas da forma como sou e como fui educada.

Leiam que vale a pena perder 10 minutos a ler a história de Karl Marlantes.

Those clouds of war can take a decade to engulf a veteran. Marlantes didn’t have his first flashback until about 15 years after he left Vietnam, when he walked into a business meeting one day and saw a pile of mangled bodies on the conference table.”

“When the peace treaty is signed, the war isn’t over for the veterans, or the family,” he says. “It’s just starting.”