O Cerco a Sarajevo por quem o viveu!

Pela jornalista Maria João Carvalho:

“No dia 6 de abril de há 20 anos teve início o cerco de Sarajevo. Eu podia apenas vestir a t-shirt comprada que afirma “I survived Sarajevo… twice”. Mas não. Eu estive lá. E não tenho grandes sobressaltos ao revisualizar imagens com som das explosões, não. O meu problema sempre foi com os iatos, o silêncio. Quatro cadáveres de crianças apanhadas por uma granada de obus quando brincavam num túnel. Por exemplo. A pausa do médico a quem dei cigarros e perguntei porque não salvava um pé ê ia amputar três membros a uma idosa. O escândalo no olhar dele: “e deixo morrer os outros mutilados para salvar o pé da velha?” Silêncio. O meu, muito envergonhado.
Este fim de semana vamos encontrar-nos, os sobrevivos de Sarajevo, repórteres de guerra e escritores, atores da defesa da cultura durante o atroz sacrifício do bem comum… vamos lembrar o incêndio na biblioteca milenar, o estatelar das granadas nos muros de meio metro em frente ao parlamento e os torniquetes que éramos obrigados a fazer das camisas rasgadas enquanto os carros da UNPROFOR passavem sem parar como gente doida – “a ONU não permite o socorro a civis, neste mandato”…ainda ecoa na minha cabeça. E os bósnios atreviam-se a sair de casa, durante os bombardeamentos, e a trazer veículos para levarmos aqueles corpos meio desfeitos ao Kosova Hospital. Os médicos, enfermeiros e voluntários, eram alvejados quando nos ajudavam a retirar aquela gente dos atrelados. E a nossa ausência era fatalmente justificada com “menos ou mais um jornalista”! Neste caso tenho de admitir na minha categoria dos Heróis sem Tempo” todos os civis de Sarajevo, de todas as etnias, que ajudaram a salvar vidas. Bem Hajam.
Por mim, os anos de sofrimento por ainda ter pernas, levaram-me quase a perder uma. Até que compreendi o meu dever de testemunho e a minha enorme dívida para com os que me desviaram da minha morte ou morreram em vez de mim, com as balas e granadas que me foram destinadas. Gracias, Ortega. Salam Alekum, Ibhraim. Arigato, Kori. Obrigada, Capitão Santana… e tantos outros. E obrigada a todos os atores que levaram à cena durante o cerco a peça Abrigo e me convidaram para sobreviver com eles durante dois dias. Gracias a La Vida, como diria Joan Baez.”

“Feridas Invisíveis”

Este é um texto muito interessante, sobre  a vida de um veterano da Guerra do Vietname, de certa forma explicou-me algumas coisas da forma como sou e como fui educada.

Leiam que vale a pena perder 10 minutos a ler a história de Karl Marlantes.

Those clouds of war can take a decade to engulf a veteran. Marlantes didn’t have his first flashback until about 15 years after he left Vietnam, when he walked into a business meeting one day and saw a pile of mangled bodies on the conference table.”

“When the peace treaty is signed, the war isn’t over for the veterans, or the family,” he says. “It’s just starting.”

A Brasileira – Coimbra

Quando estudei em Coimbra, adolescente e percorrendo a cidade a pé, passeava muito pela Ferreira Borges e com excepção do café dos pasteis de nata gigantes no Largo da Portagem, a Brasileira era o local onde ia muitas vezes.

A Brasileira fechou há dezassete anos para dar lugar a uma loja de roupa, agora volta ao seu negócio de origem e com o “look” bem renovado, apesar da tentativa de se manter fiel ao original devo dizer que apenas reconheço as escadas, apesar de agora estarem pintadas.

Está de volta modernizada com direito a site na internet e tudo.

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* Eu não bebo café logo não posso garantir o slogan.