Calvin e o Trabalho

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Uma das vantagens de dar aulas num projecto como a Orquestra Geração é que cedo os alunos se apercebem desta realidade e sabem que o trabalho dá frutos e motivam-se para tal, até porque tem uma carruagem para apanhar e ninguém quer ficar para trás.

Infelizmente nas outras aulas que dou este é o pensamento vigente, miúdos espertinhos que querem ficar por um nível mais abaixo do que tinham capacidades para alcançar, porque assim tem menos trabalho.

O meu professor de matemática do 5º ano costumava cantar uma canção que ainda hoje uso nas minhas aulas: “dlim, dlim, dlim trabalhar faz calos”…

Orquestra Geração Ajuda

Tenho o prazer de trabalhar com um óptimo grupo de colegas na Orquestra Geração, este é o fruto do nosso trabalho na escola da Ajuda, julguem por vocês próprios, os meninos tocam há ano e meio.

Como não consigo fazer upload do filme que é muito grande, podem ver aqui, o video que uma mãe gravou.

Cada aluno fez uma pequena audição além da sua apresentação com a Orquestra, eu acompanhei alguns, numa versão apelidada de Ray Charles, pois o sol era mais que muito e não estava fácil de suportar.

Matilde e eu

Obsessions by Sagmeister

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Este é um trabalho da Sagmeister Inc. que foi feito na Holanda com apenas moedas de cêntimos.

Achei interessante a frase, reflecte um tanto ou quanto a minha maneira de estar, por muito que por vezes me irrite.

Se existe algo para resolver ou há algum problema tenho que o resolver no imediato, o que por vezes precipita e faz-me tomar decisões e acções pouco reflectidas, tenho pouca paciência para esperar é um facto, chateia-me mas ainda não consegui evitar isso…já no trabalho faz com que não deixe nada para depois, que me faça insistir no focus em que estou e vencer todos os obstáculos que tenho de vencer, no ramo da música em que somos todos obsessivos profissionais não deixa de ser uma mais valia. No entanto, nas restantes áreas da vida ( ultimamente não parece mas eu tenho mais vida que o trabalho) faz-me tomar atitudes pouco reflectidas.

Por tudo isto esta frase fez-me muito sentido.

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Faltam 5 dias para a alforria….

Chateia-me que esteja tão cansada que só consiga pensar em quarta-feira que vem, porque no entretanto vou ter um domingo que em circunstâncias normais iria gostar bastante.

Audição dos meus alunos da Orquestra Geração, é sempre um momento em que me sinto orgulhosa deles e do trabalho que vêm conseguido concretizar, acompanho grande parte deles ao piano e nos ensaios tenho visto uma evolução verdadeiramente notável desde o Natal, trabalharam bastante, dá gosto trabalhar assim com miúdos que se esforçam e furam as dificuldades.

 

Pequena nota sobre Educação!

Hoje numa das minhas aulas, um aluno inteligente mas muito mau comportado, defendia que o comportamento não devia interferir nas notas, porque a educação deve ser dada pelos pais em casa, logo não deve ser avaliada na escola, além disso que o problema do comportamento era um problema dele e que a escola não tinha nada a ver com isso. (acho que um argumento destes não vem com certeza da cabecinha de uma criança de 11 anos, por muito espertinha que seja).

Ora concordamos que os pais é que educam os filhos, nada a objectar quanto a isso, mas já vamos a isso.

O M. não é um aluno mal educado é um aluno mal comportado que são coisas diferentes, a partir do momento em que a necessidade dele de falar atrapalha a aula, o problema passa a ser da escola, estamos  a falar de um aluno que literalmente não consegue estar calado um minuto seguido, além de gozar descaradamente com os alunos mais dificuldades, não tem pudor nenhum em chamar-lhes burros e outras coisas que tais. Sem contar que enfrenta verbalmente qualquer adulto, não consegue ver-se como criança, vê-se como um igual que sabe tudo, os pais são jornalistas e como tal ensinaram-lhe que a verdade está acima de tudo e deve ser contada, só que esta informação para uma criança que não sabe medi-la é um perigo, porque a favor da verdade diz as coisas piores e mais desumanas aos colegas e até a professores imagine-se. Uma das suas professoras tem um problema físico que a deforma um bocado, pois o M. achou que deveria dizer à professora, porque as verdades são para se dizer, que não gostava dela, que ela era feia e custava-lhe ir às suas aulas porque lhe fazia impressão, ora isto não é dizer a verdade é magoar as pessoas.

Este é o retrato do M. ora e os pais? Os pais apesar de receberem recados quase todas as semanas, assinam-os mas ignoram, o filho é assim desde o jardim de infância e não há nada a fazer, estão fartos de ser chamados à atenção, assim sendo agora nem aparecem, faltam às reuniões de país porque os outros pais são snobes, faltam quando os professores os chamam porque não tem paciência já para ouvir queixas do filho e para eles enquanto ele continuar a ter boas notas , o comportamento não interessa.

Isto passa para o filho que acha que não se deve portar bem, porque se os pais não querem saber, ele também não quer, nunca escrevi numa caderneta de aluno cujo dito não tivesse a mínima expressão de preocupação, com ele é assim.

O M. por ora tem sorte, porque mal ou bem os professores do 2º e 3º ciclo ainda se preocupam, mas e na Universidade e no mercado de trabalho, ninguém está para aturar aquilo, porque mesmo os outros miúdos já não o querem por perto, mandam-no calar.

Agora a minha pergunta é? A educação dá-se em casa, mas o comportamento não deve ser corrigido pela escola? Fora eu directora de uma escola privada e se um menino daqueles perturbasse as aulas, como ele perturba, não ficava lá muito tempo, mas a escola pública tem que o aceitar, e agora fica impávida e serena perante a inoperância dos país? Não deveriam os pais e o aluno ser responsabilizados? Eu garanto-vos que em cada 45 minutos de aulas, 10 são perdidos a chamar a atenção do M.. É justo para os outros miúdos que querem aprender? É que a minha turma tem seis meninos, agora imaginem aquilo numa turma de 20 como os professores da escola tem que aturar? É impossível dar aulas assim.

Os país não querem saber e a escola sente-se impotente porque as sanções mais severas costumam ser para “crimes” maiores.

Quanto a mim faço questão de usar os 20% que posso descontar por causa do comportamento às notas e vou continuar a castigá-lo tantas vezes quanto forem precisas.


( Por estas e por outras é que eu acho que mais do que ensinar as crianças devia haver um programa para ensino e formação dos pais, é ai que reside o problema em 90% dos casos)