A falta de democracia que cada vez vai entrando de forma disfarçada no nosso dia a dia.

Por concordar inteiramente aqui vai um artigo muito certeiro da Sofia Galvão no Geração de 60.
E tal como o Pedro Norton depois aconselha leiam isto.

“Se um elefante incomoda muita gente…

Sempre entendi a política como coisa séria. Para ser levada a sério. E tratada com seriedade.
Mas foi vingando a ideia de que o sério é chato. E, na busca de uma política apelativa, a modernidade mediática trouxe soluções: o debate vestiu a cor do circo e a crítica acantonou-se no humor.

É claro que não vinha mal ao mundo da existência de tais produtos – aliás, em voga aquém e além-fronteiras.. O problema sempre foi – como sempre seria – o exclusivo. Houvesse outros meios de aceder à discussão, de aprofundar argumentos e de desenvolver o contraditório e nada de mais grave ocorreria.

Sucedeu, no entanto, que a graça feita para ser ligeira e inconsequente acabou por, à falta de registo sério, passar a ser o seu contrário. A inconsequência tornou-se profundamente consequente e promoveu uma efectiva corrosão no espaço público.

O efeito foi exponencial. Tipicamente, não seria possível resistir: não há regras, não há armas, não há defesa. Um boneco menos simpático, uma graçola mais pesada e o destino fica escrito.
Para o poder, o jogo é tentador. Mas arriscado. Num primeiro momento, pode ser muito eficaz. No que diz, no que não diz, no que distrai. Porém, com o tempo, é muito provavelmente devastador.
O fim de carreira do “Gato Fedorento” na RTP foi sinal eloquente dessa percepção. Aliás, como tal não escapando aos mais desatentos. Por isso, muito mais subtil e certeiro, foi o discreto desaparecimento do “Contra-Informação”. De um dia para o outro, sem aviso, sem alarde. Vítimas do seu sucesso: qual bobos da corte que exorbitaram. Agastando o poder, tornaram-se incómodos – logo, dispensáveis.
Poder avisado, este que temos. E perigoso, cada vez mais perigoso.”

As duas culturas uma disputa ainda actual

Em 1959 C.P.Snow desenvolveu o Conceito de “Two Cultures and the Scientific Revolutions“.
Snow “defendia a tese que havia duas culturas: a literária e artística e a científica, que tinha sido criada pela modernidade, havendo também duas esferas de conhecimento distintas mas equivalentes. Considerava que ignorar a Física contemporânea era equivalente a ignorar Shakespeare e que os estetas apenas deviam estar contra aqueles que designava como cientistas bárbaros“.( Teorias da Cultura, Laura Pires, 2006).
E embora este tema tenha começado a ser discutido há quase 50 anos ainda continua na ordem do dia. Muito foi escrito nestes cinquenta anos, esgrimiram-se argumentos que agora não vêm para o caso, o que é facto é que dentro de nós existe sempre uma distinção, um lado.
Ninguém está imune, ou estamos do lado da cultura literária e artística ou da científica. Era exactamente esta conversa que vínhamos a ter depois de termos ido ver a Exposição da Maria Callas.
Claro que para mim era a MARIA CALLAS e para ele mais uma cantora conhecida, um bocadinho mais conhecida que a outras ( não estou a querer dizer que não soubesse quem fosse, de ignorante tem ZERO, ele sabe exactamente quem foi a Maria Callas, provavelmente muito mais que a maioria, só que para ele apenas é uma cantora nada mais que isso.)
Por sua vez eu tenho imensa curiosidade por vários temas das ciências e tecnologias, não sou nenhuma ignorante, e até sou bastante curiosa, mas não o suficiente para fazer deste o meu tema de estudo, se tiver de dedicar a minha vida entre o estudo do Einstein e o Menuhin escolho sem pensar duas vezes o Menuhin.
As perguntas que se me põem no meio destas discussões são, porque são estes temas postos como opostos, porque torcemos sempre mais por uma área. Mesmo os “Georges Steirners” da vida ,periclitantes sempre entre um mundo e outro são conotados sempre com uma área. George Steiner pode ser um brilhante jornalista cientifico e passar a vida ligado a ciência que para nós será sempre Filósofo. Por sua vez António Damásio embora um brilhante escritor passará algum dia de um Neuro-cientista que escreve livros?

She & Him

Entre as propostas da “Actual” do Expresso desta semana, estava esta “banda” revivalista lembrando os hits dos anos 50 mas interessante.
She&Him de todos os que ouvi e que estavam referenciados no semanário achei a única diga de nota,mas isto dos críticos e dos gostos tem destas coisas….

O albúm de estreia chama-se Volume One e é editado pela Domino/Edel

http://www.youtube.com/v/-TBcBPCkEes&hl=pt-br&fs=1

Elvira Leonardi Bouyeure mais conhecida por Biki

Hoje fui ver a exposição da Maria Callas ao Museu da Electricidade.Entre outras tantas coisas sobre a Diva que agora não vêem ao caso, descobri uma estilista de seu nome Biki. Na minha modesta opinião, esta estilista concebeu os mais fantásticos vestidos da “Cantora” (chamar cantora à Maria Callas é um eufemismo, não sei que lhe se deva chamar mas é muito mais que isso com certeza).
Infelizmente para mim, que já fazia contas à carteira num futuro distante, já não posso sonhar em ter um vestido Biki, porque a marca morreu com a senhora em 1999.
Fica aqui a minha modesta homenagem a uma estilista com muito talento, pelos vistos pouco conhecida e que infelizmente ficará na história apenas como uma das estilistas preferidas de Maria Callas.

Bem consegui encontrar-vos estas fotos da página oficial da exposição.




Fica então a lembrança desta estilista esquecida mas que enquanto durar a exposição da Fundação de Maria Callas será relembrada.