“La forza del Destino” – G.Verdi

Depois de ter sonhado que estava em cima de palco a representar esta Ópera, esta acaba por ser a banda sonora do dia…
E estou exausta! Incrível como os sonhos por vezes nos gastam a energia que a realidade gastaria, sinto-me cansada como se de facto a tivesse representado.

Aqui na versão de Renata Tebaldi, se bem que se tivessem conseguido entrar no meu sonho iam ver que a minha versão era de cortar a respiração, muito melhor que a da Tebaldi, infelizmente para vocês faltaram e não me foram ver, ficam com a Renatinha que também é edição de luxo.

Música da manhã!

“May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young.

May you grow up to be righteous
May you grow up to be true
May you always know the truth
And see the lights surrounding you
May you always be courageous
Stand upright and be strong
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young.

May your hands always be busy
May your feet always be swift
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift
May your heart always be joyful
And may your song always be sung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young.”

Optei por esta versão porque com o Bob Dylan a cantar não se percebe bem a letra, é um grande compositor de canções, mas um grande compositor com pouca dicção.

Se há coisa que me irrita é…

Quinta-feira à noite, como detesto as sexta-feiras, são mesmo o meu pior dia com tudo incluído, tento agarrar-me a quinta-feira à noite o mais possível como que a tentar que sexta não chegue.
O pacote no seu total faz com que além de todos os outros tormentos ainda passe o dia de sexta cheia de sono.
Já vos disse que irrita-me Quinta-Feira à noite e detesto a Sexta?

Grande pinta!

Este texto de Laurinda Alves:

“Hoje uso uma fotografia de Manuel Correia para contar um pequeno episódio eloquente do caracter de alguém que tenho como exemplo de vida, de generosidade e de bondade, alguém que amo com todo o coração, mas com quem nem sempre tenho um diálogo fácil. Falo do meu pai, que é uma das melhores pessoas que conheço, que consegue superar todas as barreiras e os obstáculos, transcendendo-se em cada dia. Como todos os bons pais, o meu está sempre atento aos filhos e cuida dos mais ínfimos detalhes. Por vezes exagera e nós reagimos. Neste fim-de-semana estávamos em família à lareira, mais ou menos calados, num daqueles serões em que uma filha lê, a outra conversa, os pais estão por ali e chega. De repente apeteceu-me engraxar as minhas botas e pedi-lhe a caixa de madeira com as graxas. Ele, igual a si próprio, trouxe tudo, mas foi-me dizendo que não devia fazer isso à noite, porque de dia se vê melhor e por aí adiante. E eu: “mas está-me mesmo a apetecer fazer isso agora, pai. Vá lá, não esteja sempre a dizer-me o que devo fazer, já não sou uma criança” (esta minha versão é muito chata, devo dizer. Tenho pena mas é verdade). E o meu pai a insistir: “de dia vê-se muito melhor, mas tu é que sabes.” E eu, achando que sim que sabia, lá ia espalhando graxa nas botas de que mais gosto, que são pretas e uso quase todos os dias. Ele calado e eu também. Até que a luz das chamas fez rebrilhar uma cor esquisita na bota que eu estava mesmo a acabar de engraxar. De repente olhei e num sobressalto vi o desastre que acabara de acontecer: a bota estava impecavelmente engraxada de castanho! Nem queria acreditar. Olhei para o meu pai a tentar avaliar se ele estava a ver o mesmo que eu, mas ele continuava a ler o jornal aparentemente esquecido do nosso diferendo e da minha teimosia. Por breves segundos ainda pensei esconder as botas e fingir que estava tudo feito e bem feito, mas não fui capaz. Acabei por interromper a sua leitura. “Pai, tinha razão, olhe o que aconteceu: agora tenho uma bota preta e outra castanha!”. E ele, sem me condenar, levantou os olhos do jornal e viu o que estava à vista. Não disse uma única palavra, nem lhe passou pela cabeça lembrar-me que me tinha avisado, e é essa a sua grande lição. Não só não condenou, como na manhã seguinte pegou no carro para me levar a uma drogaria da sua confiança para comprarmos uma graxa suficientemente forte e preta para apagar todos os vestígios de castanho. Lá fomos, mesmo em cima da hora do almoço e do fecho da drogaria, eu ainda relutante e meio chateada, ele com aquela atitude querida e verdadeiramente paternal de quem só está ali para ajudar. Comprou a super graxa preta, pagou tudo e viemos embora sem uma palavra de recriminação ou ironia. Grande pinta. Quando for crescida quero ser como ele.”

Existem textos que se espelham cá dentro, este é um deles.