Ontem foi o dia

Em que o Michael Bublé me cobriu literalmente de corações vermelhos e brancos da cabeça aos pés e eu não gostei.

Pois é ontem fui ao meu primeiro concerto POP, e vocês dizem mas Michael Bublé não é bem POP, pois isso também pensava eu.

O histerismo ultrapassa-me, porque raio queria eu ir a correr para tocar num desconhecido e diga-se de passagem o rapaz nas fotos é bem giro ao pé…ew…e eu digo-vos ao pé porque fiquei tão perto tão perto que quase que dava para lhe ver os poros da pele, nunca tinha ficado tão à frente e sentada, pelo que dá para ver tudo muito bem! Gente aos gritos e com felicidade extrema no rosto quando um desconhecido lhes fala, lembra-me sempre dos Beatles, não entendo, é apenas uma pessoa igual a milhares que habitam este planeta, se é pela beleza posso garantir-vos que tenho uma mão cheia, senão mais, de amigos, que param mais o trânsito que o Michael Bublé num dia normal e incógnito na rua.

Havia gente de Espanha e até uma da Bielorússia que lhe trouxe o que me parecia uma camisola de hockey em patins com bilhetes para um jogo, o rapaz agradeceu e explicou o óbvio, que não conseguia ir ao jogo. Para fazer tantos km o cantor tinha que cantar muito melhor que o Michael Bublé mas adiante.

Obviamente que a máquina está bem montada, obviamente que é tudo ensaiado e planeado e corre ao milímetro. Obviamente que o espectáculo do palco é lindíssimo e bem pensado ( se bem que as minhas pestanas não gostaram de tanto fogo ao inicio, ficou quente!!! E lá está muito perto! incomodou-as um bocadinho).

O moço estava nitidamente cansado, apesar do corpo e voz se mexerem com destreza o olhar indicava que o rapaz ainda não tinha aterrado em Lisboa, só lá para meio do espectáculo é que ele apareceu, eu percebo que estar em tournée e com mulher e recém nascido não deve ser muito fácil, mas…se cobras tens de lá estar, é o minimo.

Para alguém que se diz herdeiro do Blue Eyes, do Dean Martin e da Ella Fitzgerald, fiquei um bocado desiludida, pelas desafinações e principalmente pela linguagem vulgar em cima de palco. Para Stand Up Artist ele é fenomenal, ri-me imenso com as piadas do rapaz, para isso ele tem de facto muito jeito, agora para quem quer ser um cantor à séria pertencente a uma linhagem de mestres têm que exigir um bocadinho mais a nível musical e de postura ( e pronto eu sei que é picuinhice mas a barba feita também não me parecia mal). Eu já vi dezenas de vídeos do Frank Sinatra em concerto e sempre esteve ali um senhor. Lembrei-me mais vezes do Michael Jackson do que de Frank Sinatra durante o concerto digo-vos com imensa pena.

Pareceu-me e digo-vos isto com toda a sinceridade um espectáculo pimba em inglês ( tudo ali é piroso, desde as mãos do cantor postas em coração para as meninas no público, ao adoro-vos mais do que alguma vez conseguirei dizer, aos corações a caírem do ar ), mas com boas músicas, o nível das músicas e dos músicos que o acompanham é excelente, o desenho de luzes e dinâmica de palco é brilhante, o problema ali é mesmo o Michael, para um canadiano está muito americanizado e não no bom sentido, se é que o há.

Eu estava sentada nas primeiras filas da plateia vip, olhava e via gente que não me parecia ter muitas posses mas que pagou quase 100 euros para ali estar e depois ocorreu-me uma discussão que tinha com um amigo há dias, os bilhetes para a Ópera, para os concertos e para o Teatro é que são caros??? O Pavilhão Atlântico estava cheio!

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